Às vésperas de eleição, deputado pede corte de salário pela metade na ALMG

Léo Portela gravou vídeo para as redes sociais dizendo que é preciso ‘cortar na carne’. Iniciativa foi ironizada por colega da Casa.

JC Juliana Cipriani

Léo Portela@leoportela_

É HORA DE CORTAR NA CARNE!

Desde o primeiro dia de mandato, quando dispensei o imoral auxílio-moradia e votei a favor do fim da aposentadoria especial para deputados, tenho lutado pelo fim das regalias.

A dois meses da eleição de outubro, o deputado estadual Léo Portela (PR) pediu formalmente à Mesa da Assembleia “providências” para que os salários de R$ 25.322,25 sejam cortados à metade. Os dois requerimentos neste sentido foram publicados no Diário Legislativo de sábado. O parlamentar também gravou um vídeo para as suas redes sociais em que diz que “é hora de cortar na carne”.

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Os valores dos salários dos deputados estaduais são decididos por resolução da Mesa Diretora e vinculados às consituições federal e estadual. Portanto, um requerimento não teria poder para revisar a remuneração. 

Questionado sobre isso, Léo Portela reconheceu não ter legitimidade para mudar os valores. “Como não tenho legitimidade como deputado estadual para entrar com o projeto pedi à Mesa que tome providências de solicitar uma Proposta de Emenda à Constituição ao Congresso, para que seja revisto o número de deputados estaduais e cortado pela metade o salário”, disse. 

Portela disse que no momento de dificuldade financeira do estado essa seria uma sinalização positiva. 

Apesar do inusitado pedido, o deputado recebe o salário de forma integral desde o início do mandato, em 2015. Perguntado se iria cortá-lo por conta própria, ele disse estar verificando se existe uma forma legal de fazer alguma doação. 

O deputado negou que o pedido tenha alguma conotação eleitoral. “Desde o primeiro dia do mandato, tomo medidas para cortar gastos, como foi com o auxílio-moradia, que votei contra e renunciei ao recebimento”, disse.

Coração

O líder do governo, deputado Durval  Ângelo (PT), disse considerar positiva a iniciativa do deputado mas afirmou que a economia pouco ajudaria na crise financeira do estado. “É a mesma coisa que achar que vai fazer a construção de uma casa com um grão de areia na praia, acho que a medida pode ter pretensamente a intenção moralizadora mas não resolve”, disse.

Segundo Durval, não houve aumento no orçamento da Assembleia nos últimos quatro anos e a Casa tem um dos menores gastos do estado. “Ele (Leo Portela) deve ter percebido que tem muita injustiça no estado e, em um momento de oração, o coração dele foi tocado e sensibilizado para perceber agora a crise, acho até louvável do ponto de vista de intenção mas isso não vai resolver o problema”, disse. 

Membros da Mesa procurados pelo EM evitaram comentar o assunto alegando não ter conversado com o deputado. Mas a orientação é que o assunto seja analisado e respondido pela Mesa.