Associação de transportadoras denuncia ameaças a caminhoneiros em Minas Gerais

Entidade alega que motoristas estão sendo impedidos de voltar a circular por grevistas. Paralisação chegou ao seu nono dia nesta terça-feira (29).

Caminhoneiros permanecem às margens da BR-381, em Ipatinga, nesta segunda-feira (28) (Foto: Patrícia Belo/ G1)

Caminhoneiros permanecem às margens da BR-381, em Ipatinga, nesta segunda-feira (28) (Foto: Patrícia Belo/ G1)

Caminhoneiros de transportadoras que querem deixar o movimento e seguir viagem estariam sendo ameaçados por outros motoristas em rodovias de Minas Gerais, segundo a Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC).

A categoria manteve a paralisação nesta terça-feira (29) e entrou no nono dia de protesto em rodovias de Minas Gerais contra a alta de combustíveis.

“Nós entramos em contato com nossos funcionários para que eles pudessem voltar ao trabalho, mas os que querem voltar estão com medo. A integridade física deles está sendo ameaçada, além dos caminhões”, disse o vice-presidente extraordinário para o transporte de cargas especiais da entidade, Adalcir Ribeiro Lopes.

Ele esteve nesta terça-feira (29) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, para tentar sensibilizar os deputados sobre a situação dos caminhoneiros ligados à entidade. “Nós estamos pedindo apoio para os empresários aqui em Minas Gerais para que possamos criar uma força-tarefa para tirar estes caminhões das empresas que estão sendo bloqueados”, disse Adalcir.

Raquel Freitas@raquelaf3

O vice-presidente extraordinário para o Transporte de Cargas Especiais da NTC e Logística, Adalcir Lopes, veio até a ALMG para pedir apoio da Casa para que as polícias escoltem motoristas que queiram deixar os bloqueios da paralisação dos caminhoneiros.

A NTC & Logística é uma das maiores associações nacionais de transportadoras de carga do país. Ela representa cerca de 10,5 mil empresas, reunindo uma frota superior a 1,5 milhão de caminhões.

De acordo com Adalcir, em Minas Gerais houve registro de intimidações e ameaças em rodovias federais que passam por João Monlevade, Ipatinga, Coronel Fabriciano, Congonhas, Camanducaia e Igarapé.

“Nós procuramos a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar para que pudessem assegurar a vida destes caminhoneiros. Eles disseram que iriam estudar o caso e nos dar uma posição”, disse ele.

Além de pedir pela segurança dos funcionários, Adalcir disse que há muitos caminhões com cargas de alto valor destinadas às indústrias metalúrgica e siderúrgica. “Estamos preocupados com o produto do cliente. Também não temos seguro para vandalismo. Se o caminhão for depredado, vamos ter que arcar com o prejuízo”, contou ele.

A Polícia Militar informou que não há registro de ocorrências sobre caminhoneiros ameaçados no estado. Ninguém da Polícia Rodoviária Federal se manifestou sobre o assunto até a conclusão desta reportagem.

O presidente da NTC, José Helio Fernandes, foi à Câmara dos Deputados, em Brasília, para pedir segurança. “Nós queremos que esse movimento acabe. Isso virou uma insanidade”, segundo ele.

No dia 23 de maio, terceiro dia de paralisação dos caminhoneiros, José Helio Fernandes esteve na Câmara dos Deputados para discutir a alta no preços dos combustíveis. De acordo com ele, o setor empresarial não apoia a mobilização dos caminhoneiros.

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