Morre policial civil que assassinou a ex-mulher em plena Câmara de Contagem

Homem de 42 anos atirou contra a cabeça depois do homicídio e estava internado no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Mulher deixou dois filhos de 3 e 5 anos.

MP Mateus Parreiras

Policial civil mata mulher dentro da Câmara Municipal de Contagem, na Grande BH(foto: Polícia Militar)

Morreu neste domingo (27) o policial civil que matou a ex-mulher dentro da Câmara Municipal de Contagem, na Grande BH, e atirou contra si mesmo na sequência. Claudio Roberto Weichert Passos, de 42 anos, era escrivão da corporação e estava internado desde o dia 16 no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII.

De acordo com a polícia, na manhã daquele dia ele entrou na sede do legislativo de Contagem passando por todos os procedimentos de segurança, que envolviam o seu cadastro e fotografia na recepção, contudo a repartição não dispõe de detector de metais para prevenir que pessoas armadas ingressem no prédio.

A vítima, a secretária Ludmila Leandra Braga, de 27, estava abrindo o gabinete do vereador Jerson Braga Maia, conhecido como Caxicó, quando foi atacada pelo ex-companheiro, com quem tinha rompido o relacionamento cerca de 30 dias antes do crime. Claudio entrou no gabinete e encontrou a ex-mulher sozinha. Ele sacou sua pistola de calibre .40 e desferiu quatro tiros na vítima, depois encaixou o armamento sob o queixo e atirou.

O servidor público foi socorrido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o levou até a Prefeitura de Contagem, onde o helicóptero Arcanjo do Corpo de Bombeiros já aguardava para encaminhá-lo ao Hospital João XXIII, em BH. Por causa do crime, o prédio da Câmara foi evacuado e o quarteirão, isolado. O expediente foi suspenso e o presidente da câmara decretou luto de três dias. Ludmila tinha duas filhas, de 3 e 5 anos.

Foi o segundo crime praticado contra a ex-companheira por um policial civil na Grande BH em menos de uma semana. No dia anterior, em Santa Luzia, na Grande BH, o policial civil Paulo José de Oliveira, de 40 anos, matou a ex-mulher Luciana Petronilho, de 40 anos, e as filhas Nathalia Petronilho, de 18, e Victoria Petronilho, de 15, todas com disparos na cabeça. Após o cometimento desses crimes ele se matou com um tiro na cabeça. 

Paulo havia sido condenado, no último dia 9, a 31 anos de cadeia por estupro contra duas garotas e estava preso desde 27 de julho na Casa de Custódia da Polícia Civil, de onde fugiu para cometer o crime. As irmãs seriam as vítimas do crime sexual, disse uma testemunha do caso.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) nos últimos três anos, os episódios de feminicídio e tentativa, tipo de crime praticado contra mulher por menosprezo ao gênero ou por violência doméstica, vêm aumentando no estado. Os números saltaram de 335 em 2015 para 433 em 2017, alta de 29%. 

Além disso, os assassinatos de mulheres aumentaram nos últimos dois anos, passando de 353 em 2016 para 376 no ano passado, alta de 6,1%, enquanto os crimes de homicídio em geral reduziram em 5,5%. O comparativo também indica que a proporção de mulheres executadas vem crescendo no cálculo geral de homicídios em Minas.

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