Polícia de Minas terá atiradores de elite contra ladrões de banco

Após onda de ataques, Polícia Civil promete delegacia especializada, armamento pesado e foco no serviço de inteligência para sufocar células criminosas que vêm agindo em Minas.


JO Junia Oliveira

Cúpula de delegados da Polícia Civil anuncia novas táticas, mas sustenta que ações das quadrilhas caíram em relação a dados de 2016(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

Minas Gerais terá em breve uma delegacia especializada na investigação e repressão a um dos crimes que mais têm aterrorizado o estado nos últimos anos: o chamado cangaço mineiro, cujas ações se caracterizam por ataques a caixas eletrônicos, especialmente em pequenos municípios. Embora a Polícia Civil aponte redução da quantidade de ações dessa natureza, o novo departamento está sendo criado, segundo a corporação, por causa da gravidade delas. Somente ontem, pelo menos duas cidades foram alvos dos bandidos em Minas Gerais.

A Delegacia Especializada em Investigação e Repressão ao Roubo a Banco deve ser oficializada nesta semana. Depende apenas de o chefe da Polícia Civil, o delegado João Otacílio Silva Neto, assinar a resolução que cria esta e outras três especializadas (investigação e repressão ao furto e roubo; ao furto, roubo e desvio de carga; e a crimes rurais). Vai funcionar no prédio do Departamento de Operações Especiais (Deoesp) e contará com uma readequação de logística e pessoal.

“Ela vai identificar e neutralizar células criminosas. Agir preventivamente com o trabalho de inteligência, que vai do acompanhamento à interceptação”, explicou o chefe adjunto da Polícia Civil, delegado Rogério de Melo Franco Assis Araújo. Ele acrescentou que estão sendo formados policiais atiradores de elite para atuar nas ações de combate aos arrombamentos de bancos e caixas eletrônicos. A nova delegacia terá ainda viaturas caracterizadas e descaracterizadas e armamento mais pesado, compatível ao enfrentamento dos criminosos, que normalmente chegam a cidades pequenas do interior do estado durante a madrugada, fortemente armados, aterrorizando os moradores.

Dados da corporação sustentam ter havido redução de 31% no número de casos entre 2016 e 2017. No ano passado, foram registrados 149 ocorrências e, no anterior, 216 roubos a banco e explosões de caixas. “Embora a quantidade tenha sido reduzida, vamos criar a delegacia por causa da gravidade desses crimes, que atentam contra uma premissa que é a sensação de segurança”, disse Rogério de Melo Franco.

Em Uberaba, grupo invadiu agência e deixou cartaz intimidatório criticando condições carcerárias(foto: PM/Divulgação)

CERCO Ontem de madrugada, três caixas eletrônicos de um banco privado foram alvo de criminosos em Urucânia, na Zona da Mata. De acordo com a Polícia Militar, cinco homens chegaram ao município por volta de 1h30 em um Honda Civic. Eles atiraram diversas vezes para o alto e uma Saveiro que estava estacionada próximo à agência foi atingida. Ninguém ficou ferido.

Em Uberaba, no Triângulo, três homens invadiram um banco federal também na madrugada de ontem. De acordo com a PM, o trio abandonou vários objetos no local do crime, entre eles uma marreta, um tênis, uma camiseta e uma faixa com ameças relacionadas às “opressões no sistema penitenciário” do estado. A ação do grupo foi flagrada por volta de 1h pelas câmeras do sistema de monitoramento, que registraram o momento da fuga. As portas de vidro foram quebradas e alguns objetos incendiados. Segundo a PM, nada foi levado.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que preliminarmente não é possível confirmar a relação entre o crime e o sistema prisional, mas que o caso será investigado. O texto diz ainda que “a Seap está adotando providências para apurar a sua veracidade” do conteúdo do texto ameaçador. Ninguém havia sido preso até o fechamento desta edição.