Lama da barragem de Mariana chega com maior intensidade a Valadares

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Não há previsão de retorno de capacitação de água na cidade.Prefeitura recomenda alerta e máxima economia de água no município.

Do G1 Vales de Minas Gerais
Lama saiu no início da tarde da Usina de Baguari (Foto: Ana Carolina Magalhães/Inter TV dos Vales)                                          Lama saiu no início da tarde da Usina de Baguari
                                       (Foto: Ana Carolina Magalhães/Inter TV dos Vales)

A avaliação de que o pior da lama que atingiu o Rio Doce após o rompimento da barragem no distrito de São Bento, em Mariana, passou foi um engano. A prefeitura de Governador Valadares informou no início da tarde desta segunda-feira (9) que uma das comportas da Usina Hidrelétrica de Baguari teve que ser aberta para a passagem da lama.

“O que nós esperávamos que fosse chegar em Valadares no domingo, por volta das 21 horas, ficou retido na Usina de Baguari. A gente acredita que os rejeitos empurram uma água, um pouco suja até aqui, mas o pior está por vir, chegando na tarde desta segunda em Valadares. A captação de água está interrompida e não há uma previsão de quando vamos voltar com a captação”, explicou Nagel Medeiros, secretária de comunicação e mobilização social do município.

Em nota divulgada no fim da tarde desta segunda-feira, a prefeitura de Valadares voltou a ressaltar a necessidade de economia de água e elaboração de um Plano de Emergência enviado ao Governo Estadual e à empresa Samarco, responsável pela tragédia ambiental.

“O Plano contém ações emergenciais imediatas que tentam minimizar os impactos que a possível falta de água acarretará, como, por exemplo, a exigência de que a empresa consiga caminhões pipa para suprir a necessidade da população. A Copasa se colocou à disposição e já identificou municípios que poderão ceder água como Frei Inocêncio, Marilac e outros locais do Vale do Aço. O Plano estabelece quanto de água será necessário para as necessidades da população, com prioridade para hospitais, escolas e abrigos”, diz a nota.

O Plano contém ainda necessidades específicas dos setores de Saúde e Educação do município na situação de emergência e ações da pós emergência, como a construção pela Samarco de um novo sistema de captação, tratamento e reservatório para a cidade, que não dependa do Rio Doce.

“A Prefeitura reitera a necessidade dos moradores economizarem água ao máximo, e tentar garantir o abastecimento com as próprias reservas de água (caixas). A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros alertam ainda para que ninguém entre em contato com a água do rio Doce”.

Até às 18 horas a lama ainda não havia passado por Valadares. A previsão é de que isso aconteça nas próximas horas. Enquanto isso, moradores ficam apreensivos. Na beira do rio, no Centro de Valadares, o pescador Raimundo Lemes Reis aguardava a chegada da lama. Sem ter o que fazer, ele lamentou o ocorrido.

“Agora é esperar e torcer para que tudo volte ao normal o mais rápido possível. Já que não podemos mais beber a água do rio, nem pescar o jeito é encontrar outras alternativas. A gente fica preocupado porque não se sabe qual é gravidade desse problema”, lamenta o pescador.

A prefeitura informou que está em contato permanente com órgãos federais e estaduais, que estão monitorando a situação, como a CPRM e a Agência Nacional de Água (ANA). O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) alerta que não há como prever quando poderá restabelecer o abastecimento, já que nenhum tratamento é eficaz enquanto a lama não se diluir e passar.