Mulher de caminhoneiro morto em acidente na BR-101 diz à polícia que marido vivia rotina de risco

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Segundo a PRF, carreta que provocou acidente que deixou 22 mortos estava com excesso de peso e pneus carecas. Dono de empresa foi preso nesta sexta-feira (23).

Em depoimento à polícia nesta sexta-feira (23), a mulher do caminhoneiro morto no acidente que matou outras 21 pessoas disse que o marido vivia uma rotina de trabalho de risco. Um dos donos da empresa Jamarle Transportes, para a qual o motorista trabalhava, foi preso porque, segundo a polícia, ele foi negligente com relação às condições do veículo.

A tragédia na BR-101, em Guarapari, aconteceu após a colisão entre a carreta, um ônibus de viagem e duas ambulâncias, no início da manhã desta quinta-feira (22). Vinte e duas pessoas morreram e outras 21 ficaram feridas.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) disse que a carreta transportava uma carga além da permitida e estava com pneu careca. O governo do estado decretou luto de três dias. Esta foi a pior tragédia em rodovias da história no Espírito Santo, segundo o secretário de Segurança Pública do Estado (Sesp).

O motorista da carreta era Nadson Santos Silva. Ele tinha 30 anos e morava em Colatina, no Noroeste do Estado. Segundo familiares, Nadson saiu de Baixo Guandu e seguia com a carreta para Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado.

De acordo com o delegado Alberto Roque Perez, a esposa do caminhoneiro prestou depoimento à polícia e contou que na noite anterior ao acidente o marido demonstrou preocupação com as condições do veículo.

“O veículo estava em condições inadequadas para rodagens, há indícios muito fortes de que a pedra estava sendo carregada era 10 toneladas acima do peso permitido, o horário que estava sendo levado era na madrugada para evitar fiscalização. […] Ela nos confidenciou em depoimento que isso é uma conduta reiterada por parte da empresa, que já ocorreram outros acidentes por esse motivo e que o próprio motorista estava preocupado na noite de quarta-feira, quando saiu de sua residência, com as condições do veículo”, disse Alberto.

A viúva também contou que, devido ao excesso de trabalho, o marido pode ter feito uso de arrebite, substância usada para dar energia. “A perícia coletou material e vai fornecer os resultados na semana que vem”, disse o delegado.

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Outro caso envolvendo a empresa

Uma outra mulher, que não quis se identificar por medo de represálias, contou ao G1 que o marido trabalhava como caminhoneiro para a mesma empresa. Ele também morreu em um acidente quando transportava uma pedra de granito e, segundo ela, relatava as negligências da empresa.

“Às vezes eu contestava o fato de que ele trabalhava muito de madrugada, e aí ele falava que tinha que rodar nesse horário para fugir da fiscalização, para não passar em balança, não ser parado por guarda. Porque trafegava com pedra de granito amarrada com corda, com peso além do permitido”, lembrou.

Jacymar Pretti, de 63 anos, um dos donos da Jamarle Transportes, (Foto: Guilherme Ferrari/ A Gazeta)

Prisão

Jacymar Pretti, de 63 anos, um dos donos da Jamarle Transportes foi preso em flagrante nesta sexta-feira (23). Ele foi autuado por homicídio doloso e será encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Viana (CDP). O irmão dele, que também é dono da empresa, poderá responder pelo mesmo crime, segundo a Polícia Civil.

Negligências

Falhas mecânicas na carreta são investigadas como causa do acidente. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) disse que a carreta transportava uma pedra de granito de 41 toneladas. O peso está acima do limite permitido, que é de 30 toneladas. A carreta também circulava com pneus carecas.

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