Motorista da carreta usou cocaína e rebite antes de acidente na BR-101 no ES, apontam exames toxicológicos

0
172
Perito criminal explicou que, entretanto, ele não estava sob efeito da droga, que teria sido usada cerca de 12 horas antes da viagem. Já o rebite foi usado antes do motorista pegar a estrada.
Por Elis Carvalho, A Gazeta
Pedra se soltou da carreta em acidente na BR-101 em Guarapari (Foto: Ari Melo/ TV Gazeta)

Exames toxicológicos comprovaram que o motorista da carreta envolvida no maior acidente da história nas rodovias do Espírito Santo usou cocaína e a anfetamina rebite, horas antes de colidir contra o ônibus da Águia Branca. Vinte e três pessoas morreram.

“Apesar de haver benzocaína, metabólico da cocaína, no organismo do motorista, ele não estava sob efeito da droga no momento do acidente. Ele usou a cocaína provavelmente cerca de 12 horas antes de viajar. Já o uso do rebite ocorreu logo antes de viajar. O grande risco dessa anfetamina é que ela tira o reflexo do motorista e, apesar de tirar o sono por um tempo, depois que o efeito passa, ele volta a ter uma sonolência intensa, podendo até dormir no volante”, explicou o perito toxicológico Rafael Barcellos Bazarella.

Além disso, a perícia criminal descobriu que as características do caminhão foram adulteradas. De acordo com o perito Marcus Bhering Bragança, o caminhão não tinha qualquer condição de fazer o transporte de carga.

“Os freios e pneus estavam em más condições e havia excesso de carga. Ainda não há como dizer que estava em alta velocidade porque o disco do tacógrafo foi retirado pela PRF antes da chegada da perícia. Mas já sabemos que o aparelho não estava registrado e não tinha selos necessários ou para burlar a fiscalização ou por falta de manutenção”.

Para o delegado Alberto Roque Peres, titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, o excesso de trabalho do motorista aliado às más condições dos caminhões usados pela transportadora só confirmam o fato de que o dono da empresa teve responsabilidade no acidente.

“Convicção continua na mesma linha de que a negligência foi muito forte, de total desprezo à vida humana, o que caracteriza em dolo eventual. No sábado os últimos corpos foram liberados. Estamos ouvindo sobreviventes e quatro delas já representaram criminalmente o dono da transportadona”.

O delegado completou que a polícia já está perto de identificar o dono da pedra que era transportada. Ele também irá responder civil e administrativamente pelo acidente, podendo responder também criminalmente.

Acidente em Guarapari foi maior tragédia rodoviária do Espírito Santo (Foto: Bernardo Coutinho/ A Gazeta)
  Dono da carreta

Jacymar Pretti, um dos donos da Jamarle Transportes, empresa responsável pela carreta, chegou a ser preso em flagrante no dia 23 de junho. Mas a Justiça determinou a expedição do alvará de soltura em favor do empresário.

A decisão da juíza Daniela de Vasconcelos Agapito, da Vara de Iconha, saiu na tarde do dia seguinte. De acordo com a Secretaria de Estado Justiça (Sejus), o empresário foi solto no início da noite, no mesmo dia.

O irmão e sócio dele também foi intimado e deve prestar depoimento. A polícia ainda vai investigar se o motorista da carreta, Nadson Santos, que morreu no acidente, tinha condições de dirigir.

Jacymar Pretti, de 63 anos, um dos donos da Jamarle Transportes, (Foto: Guilherme Ferrari/ A Gazeta)