Montes Claros registra novo tremor de terra

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Segundo relatos de moradores, a terra tremeu por volta das 6h. Informações preliminares de observatório dão conta de que o tremor atingiu 2,1 na Escala Richter

 Cristiane Silva , Luiz Ribeiro, em.com.br

Prefeitura de Montes Claros/Divulgação

Moradores de Montes Claros, no Norte de Minas, acordaram assustados nesta quarta-feira, véspera do feriado da Independência. Às 6h09, mais um tremor de terra foi registrado no município.

Conforme análise preliminar do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Obsis/UnB), o tremor de Montes Claros deve intensidade de 2,2 na Escala Richter. O fenômeno também foi detectado por outras estações. O último tremor na cidade havia sido registrado na noite de 4 de maio, de 2 pontos. Até então, o último abalo percebido pela população havia sido em abril deste ano. 

 

“Foi um terremoto de magnitutde pequena que atingiu o Parque Estadual da Lapa Grande, mas que pôde ser sentido em muitos bairros da cidade, principalmente pelo alto barulho. É um evento que já tivemos ocorrência anteriormente na cidade e que pode ter sido causado por alguma acomodação de estrutura geográfica, que  ainda estamos analisando”, destacou Geoger Samd, professor do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Obsis/UnB). 

O Corpo de Bombeiros de Montes Claros recebeu 16 chamadas após o tremor, registrado às 6h09. Uma delas foi de um morador do Bairro Sumaré, que relatou ter rachaduras na parede de casa. A informação é de que antes havia uma única rachadura pequena mas, com o tremor de hoje, a situação piorou. O Corpo de Bombeiros recomendou que a família fique atenta aos danos. Não há registro de feridos na cidade. 

 

Haroldo Soares, agente da Defesa Civil de Montes Claros, informou o tremor foi percebido com mais intensidade em alguns bairros do que em outros. O órgão já está acompanhando a situação e buscando mais detalhes do ocorrido. 

Segundo os moradores, o tremor durou em torno de cinco segundos e foi forte, percebido em bairros distantes uns dos outros, como o Centro, Independência, Todos os Santos, Sumaré, Santos Reis e Edgar Pereira. Neste último, uma moradora comentou: “Fiquei tão assustada que pulei da cama”.  

Na internet, moradores da cidade usaram as redes sociais para comentar o tremor de terra. Alguns deles, encarando a situação com bom humor, usaram a hashtag #terremoc no Twitter. 

No início deste ano, um levantamento sobre a ocorrência de tremores elaborado pelo Nucleo de Estudos Sismológicos (NES) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) mostrou que Minas Gerais foi o estado brasileiro com maior número de abalos sísmicos em 2016. Foram 88 tremores de terra  ocorridos em todas as regiões mineiras durante o ano, sendo o maior deles, de 3,7 graus na Escala Richter, registrado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 2 de maio. 

Dos 88 tremores registrados em Minas no ano passado, 36 ocorreram em municípios próximos a Belo Horizonte e 34, no Norte de Minas. 

O município mineiro com maior quantidade de abalos no período analisado na pesquisa da Unimontes foi Montes Claros. Foram registrados na cidade do Norte de Minas 172 tremores de terra entre 1º de janeiro de 1824 e 12 de janeiro de 2017. O maior deles, de 4 graus na Escala Richter, aconteceu em 19 de maio de 2012. A cidade chegou a receber uma missão do Japão para orientar os moradores sobre como proceder durante os tremores. 

Estudos apontam que os sucessivos abalos na cidade norte-mineira têm como causa uma falha geológica situada entre 1,5 mil e 2 mil metros de profundidade, com cerca de três quilômetros de extensão, partindo da região do Parque Estadual da Lapa Grande em direção à área urbana. 

Os tremores e a existência da falha geológica motivaram a instalação de nove sismógrafos em diversos pontos da área urbana e da zona rural do município, e a própria criação do Núcleo de Estudos Sismológicos da unimontes, implantado com o apoio do governo do estado, do Observatório Sismológico da UnB e da USP.