PF investiga desvio de recursos públicos da Secretaria de Saúde de Minas

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A ação investiga indícios de fraudes na contratação de serviços para realização de eventos relacionados ao combate do mosquito Aedes aegypti.

EM Estado de Minas

A  Polícia Federal cumpre  mandados  na manhã desta quarta-feira (21), em Belo Horizonte, para investigar desvio de recursos  da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais. 

De acordo com as investigações da Polícia Federal, os recursos desviados eram para ações de combate ao aedes aegypti no estado. A operação ainda não consolidou o  prejuízo aos cofres públicos.

Batizada de Operação Amphibia, a ação dessa quarta-feira conta com o apoio do Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU).  A ação investiga indícios de fraudes na contratação de serviços para realização de eventos relacionados ao combate do mosquito Aedes aegypti, promovidos pela Secretaria de Estado da Saúde (SES/MG) , nos períodos entre junho de 2012 e junho de 2016.

Os valores pagos à empresa envolvida na prestação de serviços, somente em Minas Gerais, chegam a R$ 68,58 milhões nos últimos dez anos. A operação ainda não consolidou o potencial prejuízo aos cofres públicos.

O objeto do contrato era a prestação de serviços nas áreas de propaganda, promoção, merchandising e eventos, referentes a combate à dengue e à gripe, cuja vigência abarcou os períodos compreendidos entre 13/06/2012 e 12/06/2016.

A Operação Amphibia conta com a participação 18 policiais federais e cinco auditores da CGU. Cinco mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Belo Horizonte (MG).

Relatório

O relatório da CGU analisou a legalidade, economicidade e eficácia da gestão dos recursos e insumos federais descentralizados ao Estado de Minas Gerais, aplicados em ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, no período de janeiro de 2015 a fevereiro de 2016.

Além das irregularidades na realização dos eventos, a CGU também constatou deficiências na distribuição de insumos e não alcance de metas no combate ao mosquito Aedes aegypti, principalmente pelo aumento do número de casos de Dengue, Chikungunya e Zika Vírus, ocorridos no período da auditoria.

Organização criminosa

De acordo com a Polícia Federal, o modus operandi da organização criminosa consistia em manipular e direcionar as normas do edital da licitação, visando a aumentar os lucros e a reduzir os encargos da empresa vencedora do certame, além de diminuir as garantias da administração pública e seu poder de fiscalização, propiciando os desvios de recursos em benefício dos envolvidos.

As manobras seriam efetivadas por servidores que possuíam vínculos direto ou indireto com a empresa contratada. Um dos servidores chegava a alternar seu vínculo empregatício entre as empresas envolvidas no esquema criminoso e a SES. Daí a origem do nome da Operação, posto que o esquema dependia desses servidores/empregados anfíbios, que revezavam seus vínculos empregatícios ora com o Estado, ora com as empresas do setor privado, beneficiárias do contrato com a SES.

Entre as fraudes detectadas, a Polícia Federal informou que houve conluio ou vínculo direto da contratada com empresas responsáveis pelas pesquisas de mercado para definir os valores de referência do edital e fundamentar as prorrogações contratuais, sendo algumas destas empresas de fachada; orçamentos superestimados e supostamente realizados pela mesma pessoa física, embora estivessem formalizados como efetivados por empresas diferentes, com personalidades jurídicas diversas; aumento artificial do valor do contrato, ou seja, sem justa causa e nenhum ato que o justificasse, dobrando o seu valor, em contraposição ao valor homologado; cláusulas que aumentavam artificialmente a remuneração da contratada; e pagamentos por serviços não comprovados.

Retratação

Em um primeiro momento da divulgação desta notícia, o em.com.br citou o deputado Antônio Jorge como investigado na Operação. A informação não corresponde à verdade. Em contato com o parlamentar, Antônio Jorge afirmou que “não sou alvo da investigação” e que “sou a favor da apuração integral da denúncia, na vida pública temos de nos pautar pela transparência”. O deputado afirmou ainda que “se houve qualquer tipo de ilícito, que os envolvidos sejam punidos”.