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TCE manda bloquear bens de prefeito de Governador Valadares por irregularidades no transporte escolar

Decisão apontou indícios de superfaturamento e falhas em contrato com consórcio. Tribunal estimou possível prejuízo de até R$ 3,8 milhões

Mantena Online por Mantena Online
março 24, 2026
em Destaque, Estado, Política, Regional, Urgente
TCE manda bloquear bens de prefeito de Governador Valadares por irregularidades no transporte escolar

Prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL) — Foto: Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) determinou o bloqueio de bens do prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL) e da Secretária municipal de Educação, por irregularidades em um contrato de transporte escolar. A decisão monocrática foi assinada pelo conselheiro em exercício Licurgo Mourão nesta segunda-feira (24).
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Prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL) — Foto: Divulgação
A medida prevê a indisponibilidade de bens dos gestores por um ano, no valor de R$ 908 mil, como forma de garantir o ressarcimento de possíveis prejuízos aos cofres públicos.

Segundo o tribunal, a apuração teve início após uma denúncia e uma representação que apontaram problemas na contratação feita por meio do Consórcio Interfederativo de Minas Gerais (Ciminas). Entre as irregularidades identificadas estão falhas no planejamento, deficiência na pesquisa de preços e uso inadequado do modelo de contratação.

A análise técnica também indicou indícios de superfaturamento. Um dos pontos destacados foi o aumento expressivo da quilometragem prevista no contrato. Enquanto o contrato anterior previa cerca de 3.634 quilômetros por dia, o novo passou a estimar mais de 9.400 quilômetros diários, um crescimento de 161%, sem justificativa técnica.

De acordo com o TCE, esse aumento pode ter gerado um prejuízo de aproximadamente R$ 3,8 milhões entre setembro e dezembro de 2025. Em uma estimativa mais conservadora, o valor foi calculado em cerca de R$ 908 mil, montante utilizado como base para a decisão cautelar.

Apesar das irregularidades apontadas, o contrato não foi suspenso. O tribunal considerou que o transporte escolar é um serviço essencial e que a interrupção poderia prejudicar estudantes da rede pública.

O TCE determinou ainda que os responsáveis apresentem documentos como notas fiscais, mapas das rotas e comprovantes de quilometragem para continuidade da apuração.

A decisão monocrática ainda será submetida à análise da Primeira Câmara do Tribunal de Contas.

Em publicações nas redes sociais, e também durante entrevista concedida à Inter TV dos Vales nesta terça-feira (veja o vídeo acima), o prefeito Coronel Sandro (PL) definiu como perseguição política as acusações de irregularidades no transporte escolar e alegou estar sendo ameaçado, juntamente com a família, por um grupo de empresários da cidade.

Até a última atualização desta reportagem o g1 ainda aguardava o posicionamento oficial do prefeito sobre a decisão do TCE-MG, assim como a localização da defesa da secretária de Saúde.

Câmara também investiga contrato

A contratação do transporte escolar também é alvo de investigação na Câmara Municipal de Governador Valadares. No início de março, os vereadores abriram uma comissão processante para apurar possíveis irregularidades no contrato.

A denúncia foi aceita por 19 dos 21 parlamentares e foi apresentada por um empresário do setor de transportes, que questiona a forma de contratação do serviço.

A comissão é formada por três vereadores e tem prazo de até 90 dias para concluir os trabalhos e emitir parecer.

Na época, o prefeito informou, por meio de nota, que a equipe técnica preparava a defesa dentro do prazo legal e afirmou que a gestão atua com regularidade. A empresa responsável pelo serviço também declarou que a contratação seguiu a legislação vigente e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Fonte: Cristiane Rodrigues, g1 Vales de MG

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