As cortinas de mais uma sessão ordinária da Câmara Municipal de Mantena se abriram com o roteiro já conhecido pela população: atraso no início dos trabalhos e galerias praticamente vazias. O desinteresse do público reflete a previsão do que estaria por vir. O tom da reunião envolveu quase a totalidade dos parlamentares em torno de um problema que tem tirado o sono dos mantenenses: as obras de infraestrutura e pavimentação asfáltica na cidade.

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Com galerias vazias e discursos repetitivos, vereadores cobram Executivo e empreiteira sobre caos na Avenida General Dutra, mas sessão encerra sem soluções práticas para a população.


As intervenções fazem parte de um pacote de pavimentação e recapeamento asfáltico realizado em parceria com o Governo do Estado. O projeto prevê melhorias no trecho que vai da Igreja Assembleia Sede até o final do bairro Vila Nova, além de vias entre o Morro do Chico Lima e a saída da cidade no bairro São Silvano. No entanto, é o caos na Avenida General Dutra, no bairro Vila Nova, que centralizou os debates e as revoltas na Tribuna.

Cobranças tardias e o jogo de empurra
A via principal, que recebe obras de drenagem para a preparação do asfalto, transformou-se em uma agonia interminável para moradores e comerciantes. A falta de uma fiscalização rígida desde o início permitiu o surgimento de problemas graves. Quem reside ou trabalha no local enfrenta poeira constante, buracos profundos e praticamente o fechamento do comércio local. Além disso, há relatos de tratamento desaforado por parte dos funcionários da empreiteira contra cidadãos que buscam informações sobre os prazos.

Na Tribuna, o cenário foi de transferência de responsabilidades. Vereadores da oposição subiram um a um para cobrar o Executivo. Por outro lado, o líder do prefeito cobrou o Secretário de Planejamento, que, por sua vez, repassou a responsabilidade para a autarquia SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Enquanto o “jogo de empurra” dominava o plenário, ficou evidente o silêncio anterior dos parlamentares, que deveriam ter acompanhado e fiscalizado a execução dos trabalhos desde o primeiro dia.
Até mesmo parlamentares que raramente usam a palavra, como as vereadoras Geane do Lico e Dane Vaz, manifestaram suas reclamações. Os vereadores Fabim da Mol e Genilson Brier subiram o tom com cobranças veementes. A insatisfação levou inclusive o Presidente da Casa a deixar temporariamente a condução dos trabalhos para se pronunciar na Tribuna.
Erros técnicos e o colapso no cotidiano
O líder do prefeito, Wanderson Branca de Neve, retratou a gravidade da situação atual: a empresa responsável terá que refazer o trabalho e corrigir os erros cometidos. Falhas de engenharia e a falta de intervenção do SAAE resultaram em um erro estrutural grave, onde a água que deveria escoar está retornando para a via. Para corrigir o problema, o local onde vai chegar o asfalto precisará ser totalmente aberto outra vez.
Enquanto o sonho do asfalto retrocede, o impacto na saúde pública se agrava. Moradores enfermos enfrentam crises respiratórias dentro de suas próprias residências devido à poeira que invade os imóveis. Paralelamente, motoristas que chegam ou saem de Mantena enfrentam o desgaste mecânico e o perigo gerado pelos buracos nas vias de acesso.
Como desfecho dos discursos, o líder do prefeito foi enfático solicitando ao Executivo a substituição dos secretários municipais que não têm apresentado resultados, expondo as dificuldades de governabilidade da atual gestão.

Cobranças sobre a Creche Municipal e bastidores
Nos momentos finais da sessão, o vereador Zé Barreto foi questionado sobre a situação da Creche Municipal. O parlamentar afirmou que a estrutura está “quase prontinha”, mas foi confrontado sobre o descumprimento de três datas diferentes que já haviam sido anunciadas para a inauguração, que segue sem acontecer.
O encerramento da sessão não marcou o fim dos descontentamentos. Já nos bastidores do plenário, o cidadão Geraldo Junior abordou o Presidente da Casa filmando com um celular. Ele buscava respostas para um requerimento e pretendia se defender de citações ao seu nome ocorridas em reuniões anteriores. Diante da ausência de respostas claras, o cidadão retirou-se do local, acompanhando a saída dispersa dos próprios parlamentares.
A sessão terminou sem decisões concretas, sem a definição de convocações de secretários para esclarecimentos e sem respostas para as demandas urgentes apresentadas pela comunidade. Daqui a quinze dias, uma nova reunião ordinária está prevista, deixando os problemas atuais sem solução definitiva na memória da população de Mantena.
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