O cenário na Avenida General Dutra, no bairro Vila Nova, em Mantena, ultrapassou o limite do desconforto e se tornou um problema crônico de saúde pública e economia local. Ruas esburacadas, comércio de portas fechadas e uma nuvem constante de poeira — que castiga principalmente idosos e pessoas acamadas — formam o cartão de visitas forçado para quem chega ou passa pela cidade. Diante do clamor popular e de erros técnicos visíveis na instalação da infraestrutura fluvial, a última reunião da Câmara Municipal, realizada na sexta-feira (29), transformou-se em uma intensa caçada aos culpados pelo atraso na conclusão dos trabalhos.
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O Jogo da Culpa em Mantena: Um Espelho Resolveria as Perguntas dos Vereadores?

Entre cobranças na Tribuna e poeira no bairro Vila Nova, Legislativo busca culpados externos para o atraso nas obras da Avenida General Dutra enquanto população cobra fiscalização efetiva.

Na Tribuna da Casa, o debate central não girou em torno de soluções imediatas, mas sim de apontar dedos. Em um primeiro momento, os questionamentos miraram a empresa vencedora da licitação. Logo depois, a engrenagem de cobranças alcançou a Secretaria de Planejamento da Prefeitura e a autarquia SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). A dinâmica da sessão deixou claro o esforço do Legislativo em blindar a si mesmo, pulverizando a responsabilidade para qualquer direção, desde que ficasse longe das cadeiras do parlamento.

Fogo amigo e secretariado na mira
A discussão ganhou contornos ainda mais políticos com a intervenção do próprio líder do Executivo na Casa, o vereador Wanderson Branca de Neve. Em um movimento que surpreendeu quem acompanhava a sessão, o parlamentar subiu o tom contra o escalão do governo do prefeito Gentil Mata da Cruz. Branca de Neve não poupou críticas ao gerenciamento da máquina pública e colocou a culpa dos gargalos administrativos diretamente nos secretários municipais.
Ao expor as dificuldades da gestão e classificar as escolhas do prefeito como as principais responsáveis pelo ritmo lento das entregas, o líder do governo apenas ecoou uma insatisfação que já vinha ganhando força nas redes sociais desde o início do mandato. O vereador selou sua fala exigindo publicamente a substituição do secretariado em Mantena, jogando mais lenha em uma fogueira política que já arde aos olhos do eleitorado.

O reflexo da omissão
Quem acompanha de perto a política mantenense compreende os fatores que moldaram o atual cenário: um primeiro ano de mandato sufocado pela escassez de orçamento, uma máquina pública recebida com severas dificuldades e a inexperiência de secretários apelidados nos bastidores de “marinheiros de primeira viagem”. Atualmente, passados um ano e seis meses desta administração, o governo começa a dar sinais de encaixe e o prefeito busca oferecer respostas mais robustas à sociedade.
Contudo, a cobrança do eleitorado que elegeu tanto o prefeito quanto os vereadores permanece rígida. A população quer saber as razões do atraso na Avenida General Dutra, mas também questiona o silêncio, a falta de ação preventiva e a ausência de uma fiscalização rigorosa por parte da Câmara Municipal desde o início das escavações. Em vez de monitorarem de perto a empreitada, os parlamentares parecem ter assistido ao desgaste de longe, agindo apenas após o colapso do cronograma.
Se a Câmara Municipal de Mantena busca com tanta insistência entender quem falhou com o povo, talvez a solução não esteja em convocar terceiros, mas em instalar um grande espelho no plenário. Olhar para o próprio reflexo poderia revelar que a função do legislador vai muito além de perguntar quem é o culpado; ela reside no dever de fiscalizar para evitar que o erro aconteça.
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