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Coordenadora é afastada de CTI neonatal após vídeo de formigas em bebê

Redação por Redação
março 27, 2018
em Diversas, Outros Destaques

Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) também anunciou abertura de sindicância para apurar o caso, que foi gravado na Maternidade Odete Valadares.

LH Landercy Hemerson GP Guilherme Paranaiba

A coordenadora do CTI neonatal da Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte, foi afastada do cargo, de acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A decisão foi tomada pela Fhemig após a divulgação de imagens (acima) da infestação de formigas na unidade, inclusive dos animais andando no rosto de um bebê e também nos aparelhos médicos.

SAIBA MAIS

  • 12:25 – 26/03/2018Formigas invadem CTI de maternidade em BH e andam sobre bebês

Além disso, a Fhemig informou, por meio de nota, que abriu sindicância administrativa para apurar as possíveis omissões, “tanto em relação à incidência de formigas no CTI neonatal quanto à segurança e integridade física do bebê que aparece nas imagens”, conforme o texto enviado pela instituição.

Outra medida anunciada foi uma nova dedetização no local, com supervisão da equipe do CTI neonatal. “A direção da Fhemig afirma que tão logo sejam apurados os fatos, tomará as justas e devidas providências”, completa.

Insetos foram filmados andando sobre bebê internado no CTI neonatal da Maternidade Odete Valadares(foto: Reprodução/Youtube)
Insetos foram filmados andando sobre bebê internado no CTI neonatal da Maternidade Odete Valadares(foto: Reprodução/Youtube)

Essa situação ligou a luz de alerta para o risco de infecção hospitalar na instituição. A situação se agrava, segundo o presidente da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Carlos Augusto Martins, já que pelo menos uma criança está em área de isolamento por suspeita de contaminação pela bactéria multirresistente (KPC). “As formigas, todos sabem, podem ser agentes de transmissão de doenças e, neste momento, há risco real de infecção coletiva na maternidade”, assinalou.

A denúncia de infestação dos insetos foi feita ontem pela Asthemg depois que funcionários gravaram vídeo em que várias formigas são vistas circulando pelo corpo de um recém-nascido em uma incubadora no CTI neonatal do hospital. “No ano passado, funcionários informaram que houve situação de infestação semelhante, e que o caso foi levado às chefias e direção da maternidade. Estamos diante de um caso de omissão da diretoria do hospital, que deveria de imediato tirar as crianças da área ocupada pelos insetos e, até agora à tarde (ontem) não o fez”, afirmou o presidente da entidade de classe.

Por meio de nota, a direção da Maternidade Odete Valadares informou que está investigando a incidência de formigas no salão do CTI neonatal da unidade. “Em decorrência disso, todas a providencias foram adotadas, inclusive realizadas dedetizações no local, como também alterada toda a rotina de limpeza da unidade (do teto ao piso), explicou. O CTI neonatal é destinado a crianças prematuras e em tratamento de enfermidades.

Ainda conforme o comunicado, devido ao reaparecimento das formigas, a empresa de dedetização foi notificada e retornou à maternidade para nova aplicação de formicida mais potente. “Junto a isso, foi realizada uma desinfecção terminal no local, após o remanejamento para outros leitos de todos os bebês e da troca das incubadoras”.

Unidade informou que CTI vai ser dedetizado após infestação de formigas(foto: Reprodução/Youtube)
Unidade informou que CTI vai ser dedetizado após infestação de formigas(foto: Reprodução/Youtube)

A direção da MOV acrescentou que o bebê que teve as imagens gravadas com as formigas passeando sobre ele está bem, mas continua sob cuidados médicos intensivos. “Em relação à possível existência de bactéria multirresistente (KPC), não houve nenhuma ocorrência confirmada. A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) está acompanhando e monitorando os resultados”, conclui a nota.

No vídeo gravado por um funcionário da maternidade, que fica no Prado, Oeste da capital, se vê uma quantidade expressiva de formigas circulando dentro da incubadora, sobre a criança, sondas de soro e injeção de medicamentos e tubulação de oxigênio. De acordo com Carlos Martins, no ano passado chegou à associação a informação de infestação do inseto na maternidade.

“Como a direção havia sido alertada, acreditamos que seriam adotadas as medidas cabíveis. Mas como o caso se repetiu, de forma corajosa os funcionários registraram em vídeo a situação, para que houvesse uma denúncia concreta”, assinalou. Martins disse ainda que não tem informações se houve situação semelhante em outros hospitais públicos.

Por meio de nota, ao denunciar a infestação, a Asthemg condenou a presença dos insetos nos leitos dos bebês e disse que a situação é resultado “da negligência da administração do hospital com o cuidado dos pacientes”. Ainda conforme a associação sindical, a situação vem se repetindo e já foi denunciada à direção do hospital anteriormente.

Já a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), responsável pela administração da maternidade, informou que investiga a presença de formigas no salão do CTI neonatal e uma dedetização foi programada para o local. Sobre a reclamação de reincidência do problema, a Fhemig informou que notificou a empresa responsável por realizar a dedetização na maternidade anteriormente. E garantiu que, enquanto a sala em que as formigas foram encontradas passa por operações de limpeza, os bebês foram levados para outros leitos.

A Sociedade Mineira de Pediatria, a Sociedade Mineira de Infectologia, o Conselho Regional de Medicina, a Associação Médica de Minas Gerais e o Sindicato dos Médicos foram procurados pelo Estado de Minas para se manifestarem sobre a questão mas não se pronunciaram. Já o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde/MG) informou que tomou conhecimento das denúncias e enviou comunicado à unidade solicitando explicações. A direção do sindicato afirmou que visitará a maternidade na manhã de hoje para acompanhar o caso.

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