
POR REDAÇÃO – O papel constitucional de um vereador é claro: legislar e, acima de tudo, fiscalizar. No entanto, em Mantena, a percepção de quem observa as galerias da Câmara Municipal — ou o que restou delas — é de que a “Casa do Povo”, nos últimos nove anos e três meses, não é um legado total de conquistas sociais, mas sim de silêncio, votações orquestradas e um distanciamento entre o eleito e o eleitor.

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O SILÊNCIO DAS SENTINELAS: O Legado de Omissão e Blindagem na Câmara de Mantena


A “Unanimidade Burra” e a Influência do Líder
Um dos pontos mais críticos apontados por juristas e cidadãos que acompanham as sessões é a falta de debate. “A investigação saiu de pauta? A Casa existe apenas para bater carimbo de aprovado?”, questiona um advogado local. O fenômeno da “unanimidade”, frequentemente exaltado pelo Líder do Governo como sinal de harmonia, é visto pela população como uma prova de submissão.
Relatos indicam que a Presidência da Casa tem demonstrado insegurança na condução dos trabalhos, sendo frequentemente pautada pela experiência e influência do Líder do Prefeito. Segundo alguns, é ele quem, nos bastidores e no plenário, dita o ritmo das votações, decide quando avançar ou recuar, deixando o Presidente em uma posição de figurante em sua própria mesa diretora.


O Medo no Lugar do Diálogo
A indignação atinge todas as camadas. Uma professora aposentada, que pediu anonimato por medo de represálias, resume o sentimento de muitos: “Tudo termina em pizza e esquecimento. Quando houve uma investigação real nesta Casa?”. Esse medo não é infundado. Memórias recentes trazem episódios onde a ameaça de chamar a Polícia Militar para conter manifestantes que buscavam apenas transparência, isso aconteceu no caso do pedido de CPI da Saúde — engavetado pela gestão do ex-presidente Wanderson Branca de Neve.
Na época, enquanto o povo pedia explicações sobre a falta de médicos e remédios, recebeu o silêncio administrativo. Hoje, o rastro dessa omissão permanece na “alma” de uma população que se sente humilhada e afastada do debate democrático.

Pautas que Pesam no Bolso e na Segurança
O descaso é ilustrado por exemplos concretos citados por moradores em Redes Sociais:
- A Taxa de Lixo: Mesmo com protestos e vereadores tentando barrar o projeto, a urgência em não “atrapalhar o Executivo” falou mais alto. O resultado? Uma conta que o cidadão pagará “até o fim dos tempos”.
- Obras Inacabadas: A creche do Bairro Santo Antônio tornou-se um símbolo de interrogação. Onde está o recurso? Por que as gestões não entregaram o que prometeram?
- Ameaça Ambiental: A construção de uma barragem na divisa com o Espírito Santo (Barra de São Francisco) avança a passos largos. Enquanto o prefeito capixaba se movimenta, o Legislativo mantenense permanece mudo, sem estudos técnicos ou posicionamento político que proteja os moradores ribeirinhos.
- Lembrando que todos estes pontos e outros mais estão sendo cobrados com veemência pelo Site Mantena Online …
O Despertar pelo Ministério Público
Sem respostas vindas dos seus representantes diretos, a população começou a buscar socorro em instâncias superiores. Denúncias sobre o transporte escolar, empréstimos municipais e o destino de verbas carimbadas já estão chegando ao Ministério Público.
Como afirmam cidadãos como Roger Souza e Leonardo Amorim em manifestações públicas, a paciência com o modelo atual de reeleição e com promessas vazias esgotou. O legado que a atual Câmara de Mantena está deixando é o de uma instituição que “dorme o sonho colorido do poder”, esquecendo-se de que o mandato é passageiro, mas as consequências da omissão são permanentes.
Resta saber se, diante das investigações que se avizinham, a Casa de Leis finalmente acordará para cumprir o seu dever ou se continuará a ser lembrada como as legislaturas que deram as costas ao povo nos momentos em que ele mais precisou de coragem??
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