
MANTENA – O cenário de abandono da Creche Municipal no Bairro Santo Antônio acaba de ganhar um novo e decisivo capítulo. O Ministério Público acena com uma investigação imediata para passar a limpo o histórico de uma obra que se arrasta por gestões, marcada por promessas de campanha não cumpridas e a aprovação de empréstimos que não se converteram em benefício para o povo de Mantena.

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O tempo das promessas políticas e das justificativas de tribuna parece ter chegado ao fim. O Ministério Público confirmou o início imediato de uma investigação rigorosa sobre o histórico da Creche Municipal do Bairro Santo Antônio. O foco das autoridades é entender como uma obra que recebeu aportes extraordinários e empréstimos de milhões de reais junto ao BDMG continua sendo um “elefante branco”, enquanto o Legislativo se manteve omisso em seu papel de fiscalização.
O que deveria ser um porto seguro para centenas de famílias tornou-se o símbolo máximo da ineficiência e da política de promessas vazias em Mantena. A Creche Municipal do Bairro Santo Antônio, iniciada ainda na gestão do ex-prefeito Dr. Wanderson Coelho, atravessou os dois mandatos de João Rufino sem que o cadeado do portão principal fosse definitivamente aberto para a população.

Veja as promessas de campanha: O “mea culpa” e a nova esperança
Em novembro de 2022, o cenário era de déjà-vu. Após um primeiro mandato onde a obra foi praticamente ignorada — chegando ao ponto de ter apenas dois servidores alocados na construção, um número irrisório para a magnitude do projeto — o ex-prefeito João Rufino utilizou as redes sociais para um raro momento de admissão de culpa.
Na ocasião, Rufino reconheceu publicamente que “não deu conta do recado” em sua primeira gestão, mas renovou o juramento: a creche seria finalizada. O discurso, que serviu de combustível para a busca de votos e apoio, ecoava o clamor de mães que, sem o benefício público, seguiam sacrificando parte de seus salários para pagar cuidadores particulares ou, em casos mais graves, abandonando o mercado de trabalho por falta de opção.

O “Presente” de 2,5 Milhões: A análise de Wanderson Branca de Neve
A articulação política para viabilizar a obra passou diretamente pelas mãos do então líder do prefeito e ex-presidente da Câmara, vereador Wanderson Branca de Neve. Em junho de 2022, sob regime de urgência, a Câmara autorizou um empréstimo de R$ 2,5 milhões junto ao BDMG. Na tribuna, Branca de Neve foi enfático ao classificar o recurso como um “presente para Mantena”.
Meses depois, em agosto do mesmo ano, o vereador voltou à tribuna para detalhar um cenário financeiro que, em teoria, seria folgado: além dos 17 milhões de orçamento inicial e do adicional de 30%, somava-se um novo Crédito Suplementar de R$ 1,2 milhão.
A análise de Branca de Neve na época, embora otimista quanto aos valores “extraordinários” aprovados, esbarrou na realidade prática: o dinheiro entrou, as autorizações foram dadas, mas a obra não caminhou. O papel do Legislativo, que deveria ser o de fiscalizar cada centavo desse montante, limitou-se a apertar o botão de “aprovado”, omitindo-se diante do atraso crônico.

O Clamor das Ruas e a Lupa do Ministério Público
A omissão da Câmara e o descumprimento das promessas do Executivo não passaram despercebidos pela imprensa local e pela sociedade. O Site Mantena Online registrou, ao longo dos anos, dezenas de matérias que documentam o desespero de pais e a transformação da obra em um “Elefante Branco”.
Sem perseguições, mas com o rigor dos fatos, as cobranças mostraram que nunca faltou dinheiro ou autorização legislativa — faltou gestão e transparência. Diante da conivência política e do tempo perdido, o Ministério Público agora acena com o início de investigações para apurar onde foram aplicados os recursos destinados à creche e por que, após tantos empréstimos, as crianças de Mantena continuam do lado de fora do muro.
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