
MANTENA – O desabastecimento que atingiu Mantena nos últimos dias não é um fato isolado, mas o sintoma de um sistema que atingiu seu colapso técnico. Em uma explanação detalhada realizada nesta quarta-feira (08), sob a condução da jornalista Fabiane Hipólito, a diretoria do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) apresentou um diagnóstico franco — um verdadeiro “Raio-X” — das dificuldades operacionais e estruturais que tem impedido o fluxo contínuo de água nas torneiras da população.

Veja mais



Os Três Pilares da Crise
De acordo com os dados apresentados, a crise hídrica em Mantena sustenta-se em três problemas capitais que exigem intervenção imediata:
- Estrutura Obsoleta: A adutora que transporta água da barragem está severamente comprometida. São mais de 50 anos utilizando a mesma estrutura, que sofre rompimentos constantes devido à fadiga do material.
- Estação de Tratamento (ETA) Defasada: A atual estação foi projetada há décadas para atender metade da população atual. O município cresceu, mas o investimento em novas unidades de tratamento não acompanhou a expansão urbana.
- Déficit de Vazão: O dado mais alarmante revela um abismo matemático: Mantena consome hoje cerca de 7 milhões de litros por dia, enquanto o sistema só tem capacidade real para tratar 2 milhões de litros.

O Gargalo Humano: Servidores Sobrecarregados
O Diretor da autarquia, Dell Silva, destacou que a eficiência nas respostas à população é freada por um quadro de pessoal estagnado. “Trabalhamos hoje com o mesmo número de servidores de 30 anos atrás. Nosso quadro está totalmente atrasado”, afirmou.
Atualmente, o setor de rua conta com apenas seis servidores para cobrir toda a demanda da cidade — divididos entre calçamento, ligações e mudanças de padrão. Para resolver o problema da demora no fechamento de buracos e reparos emergenciais, o SAAE já buscou o Ministério Público para viabilizar um processo seletivo emergencial, visto que a falta de vagas no quadro fixo impede novas contratações imediatas.

O Que Fazer? Investimento e Consciência
O diretor explicou que, embora pequenos reparos sejam feitos com recursos próprios, obras de grande porte (na casa dos milhões) dependem de emendas parlamentares ou empréstimos. O plano de ação foca no fracionamento da rede para reduzir a pressão e, consequentemente, os rompimentos.
No entanto, a solução não passa apenas por obras. A diretoria fez um apelo direto à população em dois pontos:
- Reservação Doméstica: A ausência de caixas d’água em muitas residências agrava a crise. Quem possui o reservatório consegue suportar interrupções de curto prazo sem desespero. “Pedimos que quem tiver condições de instalar uma caixa d’água, que o faça”, pontuou Dell Silva.
- Combate ao Desperdício: O uso de mangueiras para lavar calçadas e ruas foi duramente criticado como uma prática que o sistema atual não consegue mais sustentar.
O Momento é de União
A mensagem final da autarquia é clara: a “luz de emergência” está acesa. Para que Mantena suporte os próximos anos, é necessário um pacto entre o poder público (para aporte de verbas e contratações) e a sociedade (no consumo consciente). Só com investimentos coesos e a modernização do sistema será possível garantir que a água, direito essencial, não falte mais no cotidiano do mantenense.
Outras matérias
Mantena Dá Show na Alfabetização e Ultrapassa Metas Nacionais












