O clima político na cidade de Mantena atingiu o ponto de ebulição na noite desta sexta-feira (15). Uma reunião extraordinária na Câmara Municipal, que se estendeu pela marca de 3 horas, 23 minutos e 42 segundos, transformou o parlamento local em um verdadeiro cenário de guerra. A reunião reuniu denúncias gravíssimas de mais fraudes na saúde pública, bate-boca caloroso, e a presença da Polícia Militar.
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Reunião de mais de 3h na Câmara de Mantena tem novas denúncias de corrupção na saúde, bate-boca e presença da PM

Sessão extraordinária inflamada expõe suposto “conluio” de Unirad, gera novas denúncias na saúde, bate-boca generalizado com servidor público e termina com a presença da Polícia Militar que garantiu segurança de vereadores.

A Tribuna Incendiária: Denúncias de Fraude na Saúde
O estopim do tumulto começou quando o Presidente da Casa acatou o requerimento do Sr. Guarcindo Lima, ex-membro do Conselho Municipal de Saúde por dois mandatos. Amparado pelo regimento interno, Guarcindo utilizou a tribuna e “abriu o verbo” sobre os bastidores da saúde municipal durante o seu período de atuação. Logo de cara o ex- membro do Conselho de Saúde deixou claro que nem tudo que se houve pela Internet, é verdade.
Em um depoimento contundente, o ex-conselheiro afirmou ter presenciado e denunciado diversas irregularidades administrativas. Segundo ele, as fraudes — que incluíam contratos suspeitos de aluguel de tendas e a compra de respiradores — eram sistematicamente validadas por “referendo” pelo então Presidente do Conselho, o servidor público José Geraldo Junior.
Guarcindo chegou a acusar a empresa Unirad, gestora dos hospitais na época, de atuar em um esquema de “conluio” devido ao número expressivo de sócios envolvidos, embora tenha modulado o tom sobre essa acusação específica momentos depois.

Pressão do Líder do Prefeito e Gravação para o Ministério Público
Diante da gravidade das acusações, o Líder do Prefeito na Casa, vereador Wanderson Branca de Neve, pressionou publicamente a Mesa Diretora e os demais parlamentares. Branca de Neve exigiu que o tempo de fala de Guarcindo não ficasse limitado aos dez minutos regimentais, demandando espaço total para que tudo fosse revelado, com a citação nominal de todos os envolvidos.
Os vereadores acataram o pedido e concordaram em estender a fala do denunciante pelo tempo que fosse necessário. Ficou deliberado em plenário que a totalidade do áudio e vídeo da sessão extraordinária seria oficialmente gravada, compilada e entregue diretamente ao Ministério Público para que as providências criminais e cíveis sejam tomadas.

Presidente nega pedido de resposta imediato
O clima que já era tenso virou caos com a chegada repentina do servidor público José Geraldo Junior ao recinto. Ao saber que seu nome fora citado na tribuna, Geraldo Junior exigiu o direito de resposta imediato. O pedido foi negado de pronto pelo Presidente da Câmara, que orientou o servidor a protocolar um requerimento formal para ser analisado e respondido em data futura.

Inconformado, Geraldo Junior subiu o tom de voz e passou a confrontar os vereadores diretamente. O ápice da discussão ocorreu quando foi exibida uma arte gráfica de teor político veiculada nas redes sociais, mostrando a Secretária de Educação, Leia Márcia, e seu esposo, Mendes, ao lado de Geraldo Junior, celebrando supostas conquistas na área educacional. O vereador Wanderson Branca de Neve confrontou a veracidade da publicação imediatamente.
O Jornalismo Mantena Online apurou o caso e entrou em contato com o Sr. Mendes, esposo da secretária de Educação. Mendes informou que a foto foi usada sem qualquer autorização do casal e que a postagem foi uma decisão unilateral e isolada de Geraldo Junior, que já mantém um histórico de embates pessoais e críticas pesadas contra os vereadores de Mantena na internet.

Polícia Militar presente e Parlamentares Expostos
O nível da reunião fez com que a Polícia Militar fosse de alguma forma acionada para resguardar a integridade física dos presentes. Sob a condição de anonimato, um vereador desabafou sobre o sentimento de vulnerabilidade do Poder Legislativo:
“Nós, os vereadores, ficamos totalmente expostos. A Presidência precisa tomar um procedimento e comunicar primeiro ao Prefeito Gentil sobre a postura desse servidor da prefeitura, e depois às autoridades constituídas. Se possível, pedir até a presença da PM fixa durante as reuniões. Da maneira como ele chegou aqui, poderia nos atacar de qualquer forma que quisesse, estávamos sem defesa”“Não sei quem chamou a PM, mas quem fez, nos deu maior segurança. Estamos em um momento tenso, acusações em cima de acusações, a Justiça já está envolvida e o povo vem sofrendo com um atendimento precário na saúde. Pelas redes sociais, estão aguçando situações e colocando medo na população.”
O Outro Lado: Servidor se Manifesta
Mesmo tendo bloqueado o perfil do Jornalismo Mantena Online para a visualização de seus conteúdos em vídeo, a reportagem obteve o relato publicado por Geraldo Junior em suas redes sociais logo após o término da sessão. O servidor alega estar sofrendo uma perseguição política arquitetada pelo sistema:
“NÃO ME DEIXARAM FALAR! ‘Do nada’ apareceu hoje na Câmara o Sr. Guarcindo Lima, que nem sendo Vereador, utilizou a Tribuna da Câmara com AUTORIZAÇÃO DE TODOS OS VEREADORES por quase MEIA HORA! E citou meu nome quando foi questionado pelo Vereador WANDERSON BRANCA DE NEVE, que insistiu que ele falasse. Estranho né!? Logo depois de minha luta CONTRA UM SISTEMA PODRE coisas assim ‘APARECEM’ do nada… MAS NÃO IRÃO ME PARAR!”, declarou o servidor.
O caso agora entra na esfera jurídica. Com o envio das gravações ao Ministério Público, a população de Mantena aguarda os próximos desdobramentos de uma crise que mistura política local, polícia e a gestão da saúde pública municipal.
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