
O prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL), teve o mandato cassado pela Câmara Municipal após cerca de 12 horas de sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (14). A votação terminou com 18 votos favoráveis à cassação e 3 contrários. Com a decisão, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão assume o comando da prefeitura.

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Sessão na Câmara de Governador Valadares terminou com 18 votos favoráveis à cassação e 3 contrários. Com a decisão, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão (PL) assume o comando da prefeitura.

Os vereadores analisaram três infrações político-administrativas relacionadas ao transporte escolar do município. Como o processo atingiu mais de 14 votos favoráveis, número equivalente a dois terços da Câmara, a perda do mandato foi confirmada ainda na primeira votação.
A sessão começou pela manhã, reuniu os 21 vereadores e foi marcada por momentos de tensão, interrupção no fornecimento de energia elétrica, manifestações na galeria e debates entre defesa, parlamentares e integrantes da Comissão Processante.
Com a decisão, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão assume o comando da prefeitura. A posse foi convocada para esta sexta-feira (15), às 10h, na Câmara Municipal.

O que levou à cassação de Coronel Sandro
O processo de cassação teve origem em uma denúncia protocolada em fevereiro pelo empresário Fabiano Márcio da Silva, do setor de transportes.
Segundo a denúncia analisada pelos vereadores, a prefeitura contratou o transporte escolar sem realizar uma licitação tradicional, utilizando um modelo de credenciamento considerado inadequado para esse tipo de serviço.
A acusação aponta ainda que a empresa começou a operar antes mesmo da assinatura oficial do contrato. Depois disso, a prefeitura autorizou um pagamento de mais de R$ 2,7 milhões por meio de um reconhecimento de dívida para regularizar o período em que o serviço teria sido prestado sem cobertura contratual.
Outro ponto questionado no processo foi o aumento no custo do transporte escolar. A denúncia cita suspeita de sobrepreço e um crescimento expressivo na quilometragem diária percorrida pelos ônibus, sem justificativa técnica apresentada durante a investigação.
Para a maioria dos vereadores, houve falhas no planejamento e na condução do contrato, além de irregularidades consideradas incompatíveis com o exercício do cargo de prefeito.
Durante a investigação, o prefeito Coronel Sandro negou irregularidades e afirmou que o processo teria motivação política.

Como foi a votação
Os vereadores votaram separadamente cada uma das três infrações apontadas no processo.
A primeira infração analisou a contratação inadequada do serviço de transporte escolar.
A segunda tratou da acusação de omissão e negligência em relação a bens de interesse do município, considerando suposto sobrepreço e falhas de planejamento no processo licitatório do transporte escolar.
Já a terceira infração avaliou a prática de atos incompatíveis com a dignidade e o decoro do cargo de prefeito.
Nas três votações, o resultado foi o mesmo: 18 votos favoráveis à cassação e 3 contrários.

Confira como votou cada vereador:
✅ Votaram a favor da cassação
- Alê Ferraz (Novo)
- Amaral do Povo (Avante)
- Betão do Porto (União Brasil)
- Dandan Cesário (União Brasil)
- Fernanda Braz (DC)
- Geisa Luana (PP)
- Gilsa Santos (PT)
- Igor Costa (União Brasil)
- Igor Erick (Mobiliza)
- Jackes Keller (PMB)
- Jamir Calili (PP)
- Kátia do Betinho Detetive (PSDB)
- Ley do Mãe de Deus (PMB)
- Roncali da Farmácia (PRD)
- Sandra Perpétuo (PT)
- Valdivino Lima (Avante)
- Waguinho (DC)
- Will Sirlei (PL)

❌ Votaram contra a cassação
- Ademar do Turmalina (MDB)
- Jepherson Madureira (Republicanos)
- Ulysses Gomes (Republicanos)

Sessão teve lotação máxima e queda de energia
A galeria da Câmara Municipal de Governador Valadares registrou lotação máxima durante o julgamento. Segundo a Casa Legislativa, o espaço comporta 100 pessoas.
Parte do público precisou acompanhar a movimentação do lado de fora do plenário. Segundo a organização, 10 seguranças foram contratados para atuar durante a sessão.
Durante a tarde, a reunião foi interrompida após uma queda de energia atingir o prédio da Prefeitura de Governador Valadares e também a Câmara Municipal, que funciona anexa ao Executivo.
Mesmo sem energia elétrica, os trabalhos continuaram com o uso de microfone portátil, caixa de som e lanternas durante a leitura das alegações finais da defesa.
Posteriormente, um caminhão com gerador estacionou ao lado do prédio e o fornecimento foi restabelecido.
A suspeita inicial de possível sabotagem chegou a ser levantada durante a sessão. No entanto, após perícia, os delegados Marco Alberto e Fábio Sfalcin, da Polícia Civil, informaram que a interrupção ocorreu por causa de uma sobrecarga.
Segundo eles, não foram encontrados indícios de intervenção externa na rede.
Fonte: Cristiane Rodrigues, g1 Vales de MG
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