Enquanto o município vizinho de Barra de São Francisco (ES) celebra a assinatura da ordem de serviço para sua segunda barragem como uma solução definitiva contra enchentes, o clima em Mantena é de profunda apreensão. A estrutura, que será erguida na região da Fronteira, nas proximidades do distrito de Bananal, preocupa os mineiros pelo potencial risco de diminuir a vazão e causar o represamento do Rio São Francisco, o que poderia inundar áreas críticas da cidade.
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Os residentes das imediações do rio, que corta o coração de Mantena, temem que a obra, ao controlar o fluxo hídrico para o lado capixaba, acabe por elevar o nível das águas no território mineiro, especialmente em períodos de cheia.

Bairros sob Ameaça e Silêncio Institucional
A preocupação atinge diretamente os moradores dos bairros:
- Santos Prates, Bela Vista e Treze de Junho;
- Treze de Maio, Matadouro, Vila Florindo e Philadelfia.
Além das residências, o Fórum de Mantena, situado em área vulnerável, também corre o risco de ser afetado por eventuais alagamentos decorrentes da alteração no regime do rio.

Apesar da magnitude do projeto e de seu impacto direto na divisa dos estados, segundo informações de bastidores, a preocupação geral é de que a Prefeitura de Mantena não teve conhecimento oficial sobre os detalhes da obra. Segundo relatos, o assunto não foi debatido com a gestão municipal mineira, e não houve a realização de audiências públicas para esclarecer os riscos ou apresentar estudos de impacto ambiental à população e aos poderes constituídos de Mantena.


O Outro Lado da Fronteira
Em Barra de São Francisco, o prefeito Enivaldo dos Anjos assinou a ordem de serviço nesta terça-feira (27/01/2026), destacando que a obra é uma medida estratégica para proteger bairros como Campo Novo e Carabina, frequentemente atingidos por desastres naturais. O projeto conta com recursos do Governo do Estado do Espírito Santo e é visto como um marco histórico para a segurança hídrica local.
Contudo, para os mantenenses, a falta de transparência e de um plano de contingência intermunicipal transforma o que seria uma “solução” em uma ameaça iminente. Sem garantias técnicas de que o represamento não causará o efeito de “refluxo” nas áreas urbanas de Mantena, a comunidade pede que o projeto seja paralisado até que as devidas explicações e estudos de impacto sejam apresentados formalmente.
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