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Conheça quatro mulheres que fazem da igualdade uma profissão

Redação por Redação
março 8, 2018
em Cidade, Cultura, Destaque, Imagem Destaque, Itabirinha, Mantena, São João do Manteninha, Urgente

De forma individual ou coletiva, elas conscientizam essas mulheres a combater o machismo e a fortalecer o movimento de luta por emancipação de gênero.

LR Larissa Ricci MI Maria Irenilda Pereira

Hoje é Dia Internacional da Mulher e, para celebrar a data, nada melhor do que mostrar que cada vez mais elas assumem os próprios desafios e apoiam outras para que também os superem. 

Foi assim que o Estado de Minas chegou a histórias como a da arquiteta que ajuda mães de família a construir suas moradias, da psicóloga empenhada em dar suporte a mulheres negras, da médica que vai além do consultório e se preocupa em apoiar integralmente suas pacientes, e da educadora que abre os braços e o coração para acolher vítimas de violência doméstica. 

De forma individual ou coletiva, elas não apenas ajudam, como conscientizam essas mulheres a combater o machismo e a fortalecer a luta por emancipação de gênero. 

SAIBA MAIS

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Mais de 100 anos depois da data do 8 de março ser instituída como dia de luta e reflexão quanto à necessidade de superar uma cultura que privilegia um sexo e oprime outro, são indiscutíveis as conquistas obtidas por movimentos feministas ao longo do tempo. Mas também é inegável que ainda há muito a avançar, como constatam as próprias ativistas da causa feminina. Leia abaixo testemunhos sobre como elas vêm enfrentando um desafio que se renova a cada dia. 

Construção da igualdade

“Hoje é um dia de luta. É um dia que representa todo o avanço que nós, mulheres, conseguimos em busca da igualdade de direitos. Não existe essa questão da mulher querer ser igual ao homem, a gente só quer uma sociedade justa e que ninguém precise ter medo de ser mulher”, avalia a arquiteta Carina Guedes, de 33 anos. 

Tendo experiência no ramo de construção civil, área predominantemente dominada por homens, ela sentiu a necessidade de usar seu conhecimento para incluir mulheres comuns nesse espaço. 

Com o objetivo de ensiná-las a medir, desenhar, projetar, planejar suas casas e a executar serviços da construção, Carina criou o projeto Arquitetura da Periferia. “Apesar de a mulher ser quem faz a manutenção da casa, na hora de construir ela costuma não ter espaço para decidir. O projeto quer mudar isso. Assim, elas vão adquirindo esse conhecimento e se sentem capazes de discutir com quem quer que seja”, explicou.

Se o objetivo inicial era dar moradia, o projeto foi expandido para melhoria da autoestima da mulher que, por conta do conhecimento, não se sentem mais dependentes dos homens.

Batalha à flor da pele

O recorte da luta assume um tom ainda mais desafiador quando se trata da realidade da mulher negra. 

A psicóloga Laila Resende, de 33, que tem o trabalho desenvolvido com foco na saúde mental dessas mulheres, levanta algumas reflexões. “Ser mulher negra é mais desafiador. Enquanto as mulheres brancas estão lutando contra tipos de opressão como machismo e misoginia, nós ainda temos que combater racismo. É precisar lutar, no mínimo, duas vezes mais”, afirma Laila.

Mudar um cenário que vai além da luta por direitos considerados comuns ao público feminino impõe desafios. “Meu trabalho dá suporte à saúde mental das mulheres negras, diante desse quadro apresentado de racismo, machismo e misoginia. Contra essa combinação, é difícil manter uma saúde mental muito equilibrada sozinha” acrescentou. 

Segundo dados de estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a mortalidade de mulheres negras aumentou em 22% entre 2005 e 2015, chegando à taxa de 5,2 mortes para cada 100 mil mulheres negras.

Resgatar e proteger

Criar uma rede de atendimento à mulher é fundamental não apenas para o melhor acompanhamento das vítimas de agressões, mas também pelo papel na prevenção da violência contra a mulher. 

E é nesse campo que atua a Casa Tina Martins. “A casa surge no dia 8 de março de 2016, fruto da indignação de várias mulheres que revindicavam políticas públicas que combatessem a violência de forma efetiva. Somos o quinto país que mais mata mulheres no mundo”, contextualiza Indira Xavier, de 33, professora e coordenadora do coletivo. 

A educadora chama atenção para a importância de se acolher mulheres em situação de violência doméstica e oferecer suporte para que essas vítimas não só saiam da situação de risco como se reestruturem para uma nova etapa na vida. “A violência é uma construção social. Os homens não nascem violentos, eles são construídos assim. Se a gente pode aprender a ser violento e machista, a gente aprende a deixar de ser violento e machista”, defende. 

E completa: “Quando um menino começa a implicar com a colega de sala, com puxões de cabelo, é comum as pessoas dizerem ‘olha, ele gosta dela’. Ou seja, desde pequenos, somos educados a associar o amor a gestos violentos.”

Consciência morro acima

A vulnerabilidade social e a falta de acesso à informação motivaram a médica de família e comunidade Júlia Rocha a ultrapassar os limites de atuação como agente de saúde e a assumir um papel de acolhedora de mulheres. “Por ser médica, tenho a oportunidade de transitar por diversas classes sociais. Sempre atendi pessoas com grau de vulnerabilidade social altíssimo, o que me deu a consciência de que existe um feminismo da classe média que não chega às comunidades carentes e favelas”, avalia. 

Em sua missão, ela acredita que o exercício da empatia é fundamental. “Nossos ouvidos têm que estar abertos para outros discursos. Às vezes a gente fica sentada confortavelmente atrás da tela de um computador, julgando, criminalizando mulheres que não tiveram as mesmas oportunidades que nós”, explica.

Com mais de 150 mil seguidores no Facebook, a médica usa de sua influência digital para conversar com leitoras e compartilhar histórias sobre cenas presenciadas na saúde, que mostram como as mulheres estão expostas ao machismo no dia a dia.

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