EXCLUSIVO– O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), instituição histórica de Mantena que já atravessou períodos de insolvência financeira, encontra-se hoje no centro de uma complexa disputa de gestão. De um lado, a Unirad, empresa contratada para modernizar a administração; do outro, a Diretora, que reassumiu funções de comando, gerando o que especialistas chamam de “gestão paralela” – um modelo que segundo comentários de bastidores tem travado o fluxo de caixa e colocado em risco o atendimento à população.

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O Histórico: Da Falência ao Crescimento de 67%
O cenário nem sempre foi de disputa. Segundo informações, antes da intervenção técnica, o Hospital São Vicente estava tecnicamente falido, acumulando dívidas com a Receita Federal, fornecedores, INSS e FGTS, CEMIG e etc.
Após o fracasso da tentativa de gestão com várias empresas que não demonstraram capacidade e foram dispensadas por não dar resultados, ou não conseguirem manter parceria com o governo do ex-Prefeito João Rufino, a oportunidade de parceria com a Unirad surgiu sob a visão da antiga Diretoria, que vendo que o modelo aplicado ao Hospital Evangélico estava surtindo efeito positivo e melhorias, fez o Convite para uma terceirização da gestão do São Vicente para a Unirad.
Segundo Boletim Informativo, a partir de janeiro de 2023, sob comando total da empresa Unirad, o Hospital viveu uma guinada: a receita saltou 67% , correção do setor de faturamento, demostrando ao SUS o que realmente a instituição estava fazendo, com os salários dos funcionários rigorosamente pagos em dia até agosto do ano anterior, onde foram feitos acordos coletivos e colocados em ordem financeira os pagamentos dos colaboradores e terceirizados (médicos).

O Conflito: O Surgimento do Comando Paralelo

Ainda segundo os bastidores, a crise institucional começou a se desenhar com a saída da diretoria anterior e a ascensão da nova diretoria. Segundo relatos, a nova direção passou a interferir diretamente na logística da gestão, nas indicações de novos profissionais médicos, ordens paralelas aos coordenados dividindo o comando com a Unirad, instaurando um clima de desconfiança e insegurança, o que vem culminando com a saída de profissionais de excelência da instituição e gerando um clima de insegurança a todos.
Desde setembro de 2024, o clima “diferenciado” se instalou. A Unirad afirma que a autonomia garantida em contrato foi violada. O impasse é claro: nos momentos de crise financeira, a Unirad é chamada para solucionar; nos momentos de decisão estratégica, a diretoria busca o protagonismo da linha de frente, tenta acordos políticos sem sucesso, atração de recursos sem comunicar a gestão, respostas aos processos sem a anuência do jurídico do Hospital, procedimentos no CRM sem anuência da gestão entre outros comandos sem atuação da gestão.



O Nó Financeiro: Bloqueios Judiciais e Transparência
Diferente do que propaga a desinformação política, a Unirad esclarece um ponto crucial: a empresa nunca recebeu repasses diretos da Prefeitura para gestão dos hospitais. Todo o recurso proveniente do município e da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais é depositado na conta oficial do Hospital São Vicente de Paulo.
O entrave atual não é a falta de dinheiro — já que os entes públicos estão em dia — mas sim a impossibilidade de movimentação. As contas do hospital sofrem bloqueios judiciais devido a dívidas passadas, execuções fiscais de prestadores e fornecedores. Devido ao conflito de informações entre a direção e a gestão da Unirad, os advogados não conseguem os dados necessários para peticionar e desbloquear os valores para pagamento de pessoal e fornecedores.
Politicagem e o Futuro do Pronto Atendimento
A Unirad também denuncia o uso oportunista da crise por “políticos aproveitadores”. Vereadores têm sido acusados de trocar a fiscalização técnica pela politicagem, confundindo a população sobre a responsabilidade do Pronto Atendimento (PA).
A empresa é categórica: o Pronto Atendimento pertence ao Hospital São Vicente de Paulo, e não à Unirad. A cobrança por melhorias e gestão no PA deve ser direcionada à direção do hospital.
As Saídas: Autonomia ou Rompimento
O plano da Unirad para o futuro do HSVP inclui a ampliação de serviços de urgência, emergência, partos e a tentativa (até agora travada por falta de acordo) de implantar a Hemodiálise dentro da unidade. Para que isso ocorra, a empresa exige:
1. Autonomia total da gestão administrativa para restaurar a unidade de comando.
2. Respeito ao contrato de gestão única com autonomia total. Enquanto o impasse jurídico e administrativo continua, a população de Mantena aguarda uma definição. O Hospital São Vicente de Paulo está no lucro, mas a paralisia decisória ameaça levar a instituição de volta aos tempos de insolvência.
Nota da Redação – O Jornalismo Mantena Online abre o espaço para que o Hospital São Vicente de Paulo e sua Direção, se lhe interessar possa se manifestar em matéria como Direito de Respostas.
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