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Frio aumenta risco de doenças respiratórias em Minas Gerais

Redação por Redação
julho 22, 2017
em Destaque, Estado, Geral, Itabirinha, Outros Destaques, Regional, São João do Manteninha, Urgente

Inverno mais rigoroso em BH e em outras cidades mineiras exige cuidados . Crianças e idosos são os mais vulneráveis em época de baixas temperaturas

em.com/ Larissa Ricci

Imagem de BH, com a Serra do Curral ao fundo: mudança de temperatura, poluição do ar e baixa umidade aumentam risco de enfermidades (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press)
 

Com mais dois meses de inverno pela frente, a população deve redobrar os cuidados com as doenças respiratórias. Belo Horizonte e outras cidades de Minas têm registrado temperaturas mais baixas que nos últimos anos, o que leva médicos a alertar para problemas como gripe, resfriado, sinusite e bronquite, especialmente entre crianças e idosos. Quem tem doenças crônicas como asma e rinite alérgica também deve se cuidar para evitar piora.  Só na capital, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu este ano quase 1 mil notificações relacionadas a quadros clínicos caracterizados por febre, tosse ou desconforto respiratório.

 
“Quando chega o frio, tudo piora: o nariz do meu filho escorre, o pulmão fica cheio e a tosse seca”, afirma Greyci Kelly Jesus Oliveira, de 30 anos, mãe do pequeno Matheus, de 2. Ela conta que a criança tem demorado a apresentar melhora significativa, mesmo com o uso de três tipos de antibiótico e de um umidificador de ambiente – comidas quentes feitas pela avó têm aliviado os sintomas. O médico Marcos Aurélio Cota Teixeira Júnior, diretor do Hospital na Residência, diz que casos como o de Matheus são comuns nesta época, diante da combinação de mudanças repentinas de temperatura, aumento da poluição no ar e baixa umidade.
 

“A nossa taxa de internação por causa de doenças relacionadas ao frio aumentam cerca de 80% neste período. As pessoas, principalmente idosos e crianças, ficam mais vulneráveis”, afirma. O médico lembra que o atual inverno tem apresentado temperaturas mais baixas que o comum para a capital mineira e dias com a umidade relativa do ar variável – com 6,1ºC marcados em 4 de julho, a capital mineira teve sua menor temperatura desde 1975. “O frio diminui a imunidade, que fica um pouco mais baixa, e deixa todos mais vulneráveis para contrair algum tipo de vírus. As baixas temperaturas também provocam um ‘ressecamento interno’, que faz com que diminua a proteção natural, facilitando a contaminação”, acrescenta.

Uma das medidas importantes de prevenção é a vacinação antigripal. Quanto mais pessoas forem vacinadas, dizem os especialistas, menos o vírus influenza será propagado e mais pessoas dos grupos prioritários e de risco, que podem ser afetados com maior gravidade, estarão protegidas. “Muitas pessoas acreditam que a vacina causa gripe, mas essa afirmação é falsa. É importante se vacinar todos os anos porque os vírus sofrem diversas mutações”, defende Marcos Aurélio Cota Júnior.

 

Secura A baixa umidade do ar também provoca problemas. Cota Júnior explica que o clima seco provoca desidratação e ressecamento das vias aéreas, afetando o sistema de defesa que evita a entrada de poeira e vírus. “O revestimento interno do nariz, dos olhos, da parte interna respiratória, fica ressecado, facilitando muito o surgimento de rinites, faringites, e até bronquites”, afirma. Fenômeno provocado pela baixa umidade relativa do ar, típica do inverno, a inversão térmica também agrava a situação – o ar frio, mais denso, é impedido de circular por uma camada de ar quente.

Nesses casos, é possível observar uma camada de poluentes que não conseguem se dispersar e formam uma nuvem de partículas. “Como as poeiras dos carros, as partículas de poluição estão mais próximas do solo, as pessoas respiram um ar mais ‘poluído’. Isso é um problema ainda maior para as pessoas com quadros alérgicos”, pontua o médico. Segundo Heriberto dos Anjos, do Centro de Meteorologia PUC Minas/Tempo Clima, a inversão térmica é mais comum no inverno. “Na capital mineira, isso é favorecido porque a cidade é cercada de montanhas”, diz.

As principais recomendações em dias secos é beber muito líquido. O médico Marcos Aurélio Cota Júnior também sugere que as pessoas evitem ficar em locais fechados, com aglomeração de pessoas, que não fumem, principalmente perto de crianças e idosos, e que façam manutenção nos aparelhos de ar-condicionado (veja quadro). Nos dias mais frios, usar lenços com álcool e separar copos e talheres em casa, por exemplo, também ajudam a não proliferar a doença. “Importante frisar que, caso a pessoa vá praticar esportes na academia, não deve deixar o agasalho em casa. As pessoas pensam que, como vão transpirar com a atividade, não precisam do agasalho. Mas é essencial para evitar o choque térmico”, diz o médico.

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