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Magistrados participam de evento sobre tráfico de pessoas

Redação por Redação
agosto 5, 2017
em Cultura, Outros Destaques, São João do Manteninha
Representantes de vários órgãos debateram as relações entre violência, criminalidade e o ciclo de Justiça.
Imprensa Oficial de Minas Gerais
Na semana em que se recorda o Dia Mundial de frentamento ao Tráfico de Pessoas (31 último), o Judiciário debate a causa de populações que se deslocam espacialmente. Frequentemente, essas pessoas se veem obrigadas a colocar-se em situações irregulares, que as deixam desprotegidas e vulneráveis, expostas à exploração. Este foi o assunto da discussão ocorrida na tarde do dia 3 último, no auditório da Corregedoria-Geral de Justiça, com o tema Luta Contra Tráfico de Pessoas: Violência, Criminalidade, Processo e Execução Penal.

A abertura do evento contou com apresentação da Orquestra Jovem da Coordenadoria da Infância e da Juventude (Coinj) do Tribunal de Justiça (TJMG), que executou o Hino Nacional e mais duas peças musicais.

DIREITOS – Representantes de diversos órgãos debateram as relações entre violência, criminalidade e o ciclo de justiça. Entre os assuntos abordados, os direitos humanos, sobretudo a Lei 13.344/16, que trata do tráfico de pessoas; a necessidade de sensibilização da sociedade e o estímulo à atuação em rede do TJMG, da Defensoria Pública de Minas Gerais, dos Ministérios Públicos estadual e federal, da Ordem dos Advogados do Brasil e de outras organizações, para combater práticas ilícitas e a violação de direitos.

Os trabalhos foram abertos pela desembargadora Ângela de Lourdes Rodrigues, da 8ª Câmara Cível, que representou o presidente do TJMG, desembargador Herbert Carneiro. Também compareceram, pelo Tribunal, a desembargadora Maria Luiza de Marilac, da 3ª Cãmara Criminal do TJMG, e o juiz Paulo Barone Rosa, do Juizado Especial de Belo Horizonte.

Dando as boas-vindas aos presentes, a magistrada, que também foi mediadora dos debates, ressaltou o mérito da iniciativa. “Esse tema nos mobiliza, porque tem um caráter humanitário. Infelizmente, o trabalho escravo não é passado, é presente. Precisamos trabalhar para efetivar as políticas públicas já existentes, criar alternativas e erradicar a violação dos direitos”, ponderou.

Como primeiro palestrante, o conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB/MG), Daniel Dias Moura, que preside a Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra no Brasil. Em sua fala, ele argumentou que, se antes a escravidão tinha relação com a cor da pele, atualmente ela tem relação com o tráfico de pessoas: “Além de brasileiros, há bolivianos, haitianos e pessoas de outras nacionalidades sendo exploradas”, afirma.

DESIGUALDADE – Representando a subsecretária de Políticas de Prevenção à Criminalidade da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Andreza Rafaela Abreu Gomes, o diretor da Central de Acompanhamento de Penas e Medidas Alternativas (Ceapa), Lucas Pereira de Miranda, disse que o tráfico de pessoas ainda tem muito de invisibilidade: “A desigualdade social no Brasil facilita a prática desse crime. Por isso, temos que lutar contra a desigualdade, contra o machismo e o racismo, que criam vítimas sociais”.

O delegado da Polícia Federal em Minas, Roberto de Jesus Câmara da Costa, comentou que o tráfico de pessoas envolve crimes correlatos como falsificação de documentos, corrupção, estelionato (por exemplo, quando uma pessoa promete levar outra para determinado país e não cumpre), lavagem de dinheiro e cárcere privado. “Temos que tirar o foco unicamente policial e ter consciência de que esse é um problema social, sendo necessária a integração de vários aparelhos do Estado”, afirma. Ele disse acreditar que a Lei 13.445/2017, que entrará em vigor em novembro, vai ajudar no combate ao tráfico de pessoas.

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