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Mecânico que matou namorada e ficou com corpo em casa vai para a prisão por feminicídio, no ES

Redação por Redação
agosto 7, 2019
em Diversas, Outros Destaques

A prisão temporária foi concedida após pedido da delegada Raffaella Almeida, titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).

Por G1 ES

MANTENA ONLINE – O NÚMERO UM DA CIDADE E REGIÃO

O mecânico Thomas Henrique Damas Neto Sottani, de 25 anos, que confessou ter matado a namorada Ellen Gonzales e ainda ficou com o corpo por dois dias em casa na Serra, foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana na noite desta quarta-feira (7).

A prisão temporária por feminicídio foi concedida após pedido da delegada Raffaella Almeida, titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).

Thomas foi preso por matar namorada, em Jacaraípe — Foto: Divulgaçãi/Polícia Civil-ES

      Thomas foi preso por matar namorada, em Jacaraípe — Foto:                                        Divulgação/Polícia Civil-ES

O mecânico se entregou à polícia e confessou ter matado a namorada na manhã desta quarta. Ele alegou que agiu em legítima defesa depois que ela o atacou. Ellen, que é uruguaia, foi morta por esganadura na casa onde os dois viviam juntos, em Parque Jacaraípe, na Serra.

No entanto, a versão contada por Thomas não convenceu a delegada Raffaella.

“Ele alegou que matou depois que ela iniciou uma agressão contra ele, que teria agido em legítima defesa. Mas é habitual nos casos de feminicídio o autor jogar a culpa na vítima, que não ter mais como se defender por ter ido a óbito”, explicou.

Thomas está com o braço quebrado, mas a delegada contou que ele confessou que isso aconteceu depois que deu um soco em Ellen.

Corpo da mulher ficou na casa mais de dois dias na casa depois de morte, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Corpo da mulher ficou na casa mais de dois dias na casa depois de morte, no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

“Ele mesmo confessou que deu um soco e em virtude desse soco, quebrou a mão. Os arranhões que ele tem na face podem ser um reflexo de defesa da vítima”, explicou a delegada.

Thomas, inicialmente, não será autuado porque se entregou depois que passou o período de flagrante, por ter ficado dois dias com o corpo dentro de casa antes de se entregar. O mecânico justificou que estava em estado de choque e também achava que a namorada estava apenas desmaiada, mas essa resposta causou estranheza na delegada.

“Depois que ela veio a óbito, ele não ligou para o Samu, não chamou ninguém, e ainda dormiu na mesma casa com o corpo. Foi trabalhar normalmente, depois foi para o hospital porque percebeu que a mão estava quebrada, dormiu no outro dia na casa do pai. É esquisito”, falou.

De acordo com a delegada, mesmo que o mecânico tenha alegado que não buscou ajuda antes por estar em estado de choque, não é descartada a hipótese de que ele só comunicou a morte nesta quarta para fugir do flagrante.

Ele vai passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (8), para saber se ele continua ou não no Centro de Triagem de Viana.

Versão da defesa do suspeito

A advogada do suspeito, Rosana Carlos Ribeiro, disse que o mecânico agiu em legítima defesa. “Ele estava em estado de choque. Ele não tem essa índole, ele é um mecânico, desempregado. E conheceu essa mulher há pouco tempo”, contou.

Segundo a advogada, as brigas entre o suspeito e a vítima eram constantes. “Na primeira vez, ele fez uma ocorrência junto ao Ciodes. Ela já tentou matá-lo duas vezes, inclusive com facas. Dessa última vez, eles estavam usando bebida alcoólica e houve uma discussão entre os dois. Ela pegou uma faca e foi para cima dele. Ele deu uma ‘chave de braço’ nela, infelizmente aconteceu isso. Ele ficou desesperado, porque não tinha intenção”, disse.

Depois de matar a mulher, o mecânico foi até o pai dele pedir ajuda e engessar o braço, que ficou machucado. “Ele agiu em legítima defesa. Ele estava desorientado, não sabia o que fazer”, falou a advogada.

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