
Em uma democracia saudável, a Câmara Municipal é o “olho do povo”. Cabe aos vereadores não apenas legislar, mas, primordialmente, vigiar o uso do dinheiro público e garantir que a gestão do Executivo caminhe nos trilhos da legalidade. No entanto, quem caminha pelas ruas de Mantena e ouve o clamor da população começa a se deparar com uma dúvida inquietante: Por que o silêncio parece ser a nota dominante quando o assunto é investigação profunda?

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Faz quanto tempo que a Câmara Municipal de Mantena não encabeça uma denúncia robusta ou uma investigação que resulte em benefício real ou ressarcimento aos cofres do município? Seria a falta de irregularidades o motivo dessa calmaria, ou existiria uma miopia seletiva que impede de enxergar o que as Redes Sociais e as esquinas da cidade gritam diariamente?

O contraste se torna ainda mais evidente quando observamos a atuação do Ministério Público de Minas Gerais. Se o MP consegue identificar, atuar e intervir em situações que ferem o interesse público, por que os representantes eleitos, que vivem o dia a dia da cidade, muitas vezes parecem descobrir os problemas apenas através dos jornais?
O cenário nas reuniões ordinárias costuma seguir um roteiro conhecido: vereadores sobem à tribuna, gesticulam com ênfase e prometem providências que fazem o cidadão acreditar que “agora vai”. Contudo, o que acontece nos bastidores para que, na reunião seguinte, o assunto pareça ter caído no esquecimento? Por que situações que dão sinais claros de necessidade de CPI ou denúncia formal costumam desaparecer após uma ou duas semanas de debate?

A função do vereador não se resume a pedidos de providência para troca de lâmpadas ou tapa-buracos. O mandato exige o rigor da fiscalização. Diante do sentimento de orfandade política que parte da população relata, as perguntas que ficam no ar são: A quem interessa o estado de passividade legislativa durante as últimas administrações em Mantena? Onde termina a política de boa vizinhança e começa o dever de fiscalizar?

O povo clama, solicita e sofre. Enquanto isso, o Legislativo de Mantena segue sob o peso de uma interrogação que apenas o tempo — e a coragem política — poderá responder.
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