Se você achava que o Carnaval em Mantena só começaria oficialmente nos próximos dias, a Câmara Municipal saiu na frente e já garantiu o seu “bloco do eu sozinho” (ou melhor, do eu em casa). Tudo estava pronto para que os nobres edis se reunissem nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, mas o destino — ou a vontade de não ver papel antes da quarta-feira de cinzas — falou mais alto.
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Segundo informações de bastidores, a reunião foi jogada para o dia 23 de fevereiro. O motivo oficial? Uma súbita necessidade de ouvir a voz do povo sobre a construção da UBS na Praça Edite Trindade. Segundo a justificativa técnica, é preciso realizar uma audiência pública para saber se o pessoal quer mesmo saúde misturada com lazer, já que a Lei 052/2017 (que parece ter sido descoberta agora) diz que ali é só lugar de diversão.
A ideia é adequar a legislação para permitir a permuta e a construção. Ou seja: primeiro o povo fala, depois a lei muda, e só então o vereador aperta o botão. Um planejamento digno de mestre-sala, não fosse um pequeno detalhe: o timing.

O Povo de Olho em tudo!
Nas esquinas e rodas de conversa da cidade, o discurso da “adequação legislativa” não colou nem com chiclete. Para o mantenense, o enredo é outro.
“O Legislativo bem que poderia trabalhar no dia 12, enquanto o Executivo fazia a audiência. Uma coisa não impede a outra, mas a preferência é clara: só pegar no batente depois que o último surdo do Carnaval parar de bater”, disparou um advogado local, que preferiu não ter o nome no “abre-alas” da polêmica.

A suspeita geral é que a “readequação” necessária não é somente na lei, mas também nas malas de viagem. O comentário geral é que os feriados prolongados falaram mais alto e que o “passeio com a família” ou a ida para centros carnavalescos maiores pesaram mais que a urgência da UBS.
Enquanto a UBS não sai e a lei não muda, o povo segue protestando. Afinal, em Mantena, parece que a saúde pode esperar o confete baixar, mas o descanso parlamentar é sagrado. Como diz o ditado popular adaptado para a ocasião: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu, deixa o povo festejar”.
Agora resta saber se, no dia 23, os vereadores voltarão com o pique total ou com a ressaca de quem esticou as férias além da conta a ponto de esquecer que ficaram muitas indagações do povo para responder. Até lá, a Praça Edite Trindade continua sendo o cenário de uma novela que, por enquanto, só tem um capítulo: o do “deixa pra depois”.
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