No relatório final da comissão, foi decidido pelo prosseguimento do processo de cassação do prefeito. Agora, haverá votação aberta entre todos os vereadores no plenário na próxima quarta-feira (13/5).
Nos bastidores, aliados e adversários já tratam a derrota como provável, e há articulações em torno da eventual posse do vice-prefeito, José Bonifácio Mourão (PL). “Já está com a chuteira no pé”, afirmou um interlocutor sobre o vice.
O relator do parecer é o vereador Roncali da Farmácia. Segundo ele, a defesa do prefeito sustentou “em diversas passagens das alegações finais” que não haveria “culpabilidade pessoal do denunciado”, sob o argumento de que os atos técnicos teriam sido praticados pela secretária municipal de Educação e outros agentes, além de afirmar que a secretária seria a única ordenadora da despesa, com acessos vinculados ao seu token pessoal.
Para o relator, porém, a tese não procede. “A responsabilidade político-administrativa do prefeito municipal no rito do Decreto-Lei 201 não se confunde com a responsabilidade técnica de cada servidor ou agente do consórcio público. Não se exige, para a sua configuração, que o chefe do Executivo municipal tenha executado pessoalmente cada ato técnico ou material da cadeia decisória”, disse.
Ele concluiu que não se trata de “imputação por responsabilidade objetiva ou de presunção de culpa, mas de reconhecimento da responsabilidade típica do chefe do Executivo pelos seus atos de direção superior”.

Embate chega até cadeira do Senado
Coronel Sandro acusou o empresário Alex Sandro Coelho Diniz (PL), primeiro suplente de Cleitinho no Senado, por tentativa de corrupção contra um funcionário de transporte público. “Eu estou denunciando o senhor Alex Coelho Diniz por tentativa de corrupção contra um funcionário do transporte público de Governador Valadares. Tomei ciência disso há pouco tempo e, se fosse só testemunha, eu não traria”, afirmou o prefeito no plenário da Câmara Municipal.
Alex Diniz é justamente quem assumiria a cadeira de Cleitinho caso o senador confirme o favoritismo nas pesquisas e vença a disputa pelo governo de Minas em outubro. Segundo a defesa de Coronel Sandro, cabe agora aos vereadores e às autoridades competentes avaliarem o conteúdo da denúncia.
A relação entre Cleitinho e Alex Diniz, aliás, está longe de ser tranquila. Os dois romperam politicamente durante as eleições municipais de 2024 — justamente por causa da disputa em Governador Valadares. Na época, Cleitinho decidiu não apoiar Coronel Sandro, que era aliado de Diniz na corrida pela prefeitura.
O racha foi tão grande que o empresário chegou a dizer que abriria mão da primeira suplência do Senado, deixando o caminho livre para o segundo da fila, o empresário Wander de Souza. A desistência, no entanto, nunca foi formalizada, e Alex segue oficialmente como primeiro suplente de Cleitinho.
Nos bastidores do Republicanos, a crise continua rendendo e se Alex Diniz, que foi vice-presidente da legenda em Minas, ficasse inviabilizado de substituir Cleitinho seria bem recebida em alguns setores da legenda.

Denúncia virou guerra política
O pedido de impeachment contra Coronel Sandro nasceu após denúncias e um relatório no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) apontarem supostas irregularidades na contratação do transporte escolar por meio do Consórcio Interfederativo de Minas Gerais (Ciminas).
A versão apresentada pelo prefeito é outra. Coronel Sandro sustenta que a denúncia é “mentirosa” e resultado de uma articulação política ligada a interesses empresariais na licitação do transporte, liderada por Alex Diniz.
O empresário, no entanto, rebate e diz que está sendo usado como alvo para desviar o foco das acusações contra o prefeito. “Ele quer criar uma ‘cortina de fumaça’ para esconder as acusações que pesam contra ele e tenta me envolver nesse processo. Terá que responder por isso”, afirmou o empresário.
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