A política mantenense é palco de um roteiro curioso que remete ao ditado popular: “quem pariu Mateus que o balance”. O protagonista da vez é o vereador Wanderson Branca de Neve. Em um movimento que surpreendeu os observadores, o parlamentar enviou o Ofício nº 011/2026 ao Executivo, classificando a cobrança da Taxa de Lixo como “abusiva” e solicitando o desmembramento do valor da fatura do SAAE.
O projeto enviado pelo ex-prefeito João Rufino justificava a criação da taxa como uma imposição do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei Federal), sob pena de o município responder por renúncia de receita. No entanto, o ponto central da polêmica — e que agora o vereador Branca de Neve tenta atacar com seu ofício de março de 2026 — é a forma de cobrança, embutida na conta de água do SAAE, o que impede o cidadão de pagar apenas pelo consumo de água se não concordar com o valor do lixo.
“Quem pariu Mateus que o balance”: Wanderson Branca de Neve cobra solução para Taxa de Lixo que ele mesmo pautouO Vereador Wanderson Branca de Neve comandando o legislativo mantenense na gestão do ex-prefeito João Rufino
O gesto, contudo, esbarra em um passado recente e documentado. Durante o segundo mandato do ex-prefeito João Rufino, era Branca de Neve quem ocupava a cadeira de Presidente da Câmara. Naquela ocasião, mesmo sob forte pressão popular e manifestações que tomaram as ruas e as galerias do Legislativo, o então presidente foi a peça-chave para que o Projeto de Lei fosse colocado em pauta e aprovado.
A Memória da Votação
Na época, o cenário era de incerteza no plenário. Enquanto alguns vereadores “em cima do muro” evitavam o desgaste — chegando ao ponto de um parlamentar apresentar atestado médico para faltar à sessão —, apenas três nomes mantiveram a coerência com o clamor das ruas e votaram contra o projeto: Maria do Moreno, Geane do Lico e João Correia.
Mesmo com a resistência desse trio e o coro das ruas, Branca de Neve não recuou, garantindo a aprovação da taxa que hoje ele mesmo contesta. O desgaste foi imediato; durante a campanha eleitoral, o vereador chegou a ser vaiado em palanque no bairro Nicolini, embora tenha conseguido a reeleição.
Promessas de Campanha e o Nó Jurídico
A questão da Taxa de Lixo foi o combustível principal da última eleição. O atual prefeito, Gentil, e seu vice, Marcelinho, prometeram categoricamente “rasgar” o tributo. No entanto, passados meses de gestão, a promessa esbarra na burocracia. Informações extraoficiais dão conta de que a equipe jurídica ainda busca uma saída legal para extinguir a taxa sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal ou normativas federais sobre o saneamento.
O ofício de Wanderson Branca de Neve, embora tente aliviar o peso no bolso do contribuinte ao pedir que a taxa não venha embutida na conta de água, ignora sua própria digital na criação do problema. Para a população, fica o questionamento: o vereador busca agora minimizar as “dores” de uma ação que ele mesmo forçou, ou seria apenas uma manobra política diante da demora do Executivo em cumprir a promessa de campanha?
Enquanto os estudos da gestão municipal continuam para tentar cassar a taxa, o “Mateus” da vez continua nos braços do povo de Mantena, esperando quem o embale de forma definitiva.