O sistema de saúde de Mantena parece viver em um ciclo interminável de crises. Ao revisitar uma entrevista concedida em 14 de setembro de 2022 por Geraldo Júnior, então Presidente do Conselho Municipal de Saúde, fica evidente que as reclamações de hoje — falta de exames, atendimento precário e imbróglios contratuais com hospitais — não são eventos recentes, mas sim feridas abertas que se arrastam há pelo menos oito anos, a população sabe quem se calou na hora que o povo pediu uma “CPI da Saúde” em Mantena.

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Saúde de Mantena: entre o discurso do passado e o sofrimento contínuo da população

Entrevista de Geraldo Junior de 2022 mostra que os problemas crônicos na saúde municipal não são novos; entre promessas de fiscalização e o silêncio da Câmara, o cidadão permanece desassistido e o povo continua sofrendo.

O diagnóstico que não mudou
Naquela época, Geraldo Júnior já pontuava a insatisfação da população com o Pronto Atendimento (PA) e as dificuldades financeiras na renovação de contratos com o Hospital São Vicente de Paulo e o Hospital Evangélico. Em suas falas, o então presidente do Conselho defendia a necessidade de fiscalização e garantia que o órgão não estava “dormindo”. Contudo, o tempo provou que o discurso de gestão e controle parece não ter se traduzido em melhorias efetivas na ponta, onde o paciente aguardava por socorro.

O silêncio político que custou caro
Enquanto o Conselho Municipal de Saúde emitia alertas sobre o colapso iminente, o cenário político nos oito anos de mandato do ex-prefeito João Rufino foi marcado por uma postura de passividade.
Durante as duas gestões do ex-prefeito a pressão popular por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde cresceu nas ruas e pelas Redes Sociais, lideradas pelo Professor Cleber Luiz Silva que mostrava insistentemente a quantidade de dinheiro que chegava e a forma como estava o atendimento da saúde de Mantena, mas encontrou uma barreira intransponível na Câmara Municipal.
Sob a presidência de Wanderson “Branca de Neve” e com o apoio da base governista daquele período, qualquer tentativa de investigar os recursos e a qualidade do atendimento foi sistematicamente abafada. O silêncio do Legislativo frente ao clamor popular deixou um legado de impunidade e falta de transparência que, até hoje, reflete no sucateamento do setor.

O ciclo de sofrimento
Hoje, ao olharmos para o caos no atendimento e a dificuldade de acesso a exames básicos, percebe-se que a omissão do passado é o alicerce do problema atual. A população de Mantena continua sendo a principal vítima de uma saúde que transita entre:
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Promessas não cumpridas: Onde o discurso de “fiscalização” da Câmara Municipal não se converte em eficiência.
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Gestão terceirizada: Onde prefeitura e hospitais trocaram culpas enquanto o atendimento de urgência falha.
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Blindagem política: A recusa histórica em abrir uma CPI que pudesse, de fato, passar a saúde a limpo e identificar para onde foram os recursos enviados por deputados e verbas recebidas pelo município.
A saúde de Mantena não precisa apenas de novos aditivos contratuais; precisa de uma ruptura com a cultura de omissão que atravessou diferentes mandatos e que, ironicamente, hoje é alvo de críticas por parte daqueles que, no passado, ocuparam cargos de relevância e pouco fizeram para mudar o destino do sistema público de saúde da cidade.
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