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MP de Mantena é obrigado a reconhecer erro que ocasionou uma denúncia de desvio de quase 1 bilhão de reais na saúde de Mantena

Não foi uma revisão espontânea. Foi uma correção forçada.

Mantena Online por Mantena Online
maio 26, 2026
em Cidade, Destaque, Estado, Mantena, Política, Urgente
MP de Mantena é obrigado a reconhecer erro que ocasionou uma denúncia de desvio de quase 1 bilhão de reais na saúde de Mantena

A 3ª Promotoria de Justiça de Mantena protocolou um aditamento à denúncia no processo 5001731-74.2026.8.13.0396 para reconhecer que os números usados para fundamentar uma das acusações criminais mais graves já movidas contra administradores hospitalares na região eram, na prática, irreais. A denúncia original apontava que o esquema investigado controlava quase R$ 964 milhões em recursos públicos do SUS. O valor correto, após revisão, é de aproximadamente R$ 43 milhões. Uma diferença de 920 milhões de reais.

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Não foi uma revisão espontânea. Foi uma correção forçada.

Com base naqueles números originais, o MP havia requerido o bloqueio de R$ 61 milhões em bens dos acusados, a retenção de passaporte do sócio-administrador da empresa UNIRAD, o afastamento dos diretores dos hospitais de suas funções e a intervenção urgente do Município de Mantena na gestão das unidades. Todas essas medidas foram requeridas com base em dados que não refletiam a realidade.

O próprio aditamento explica como o equívoco aconteceu. A Promotoria extraiu planilhas do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União e interpretou os valores totais das Ordens Bancárias como se fossem repasses individuais a cada hospital. O sistema, porém, consolida em um único documento pagamentos destinados a dezenas de prestadores do SUS em todo o estado, operados pelo Banco do Brasil como intermediário. Numa Ordem Bancária de R$ 6,35 milhões citada no próprio aditamento, a parcela efetivamente destinada ao Hospital São Vicente de Paulo era de R$ 11.678,46.

O erro não foi descoberto internamente. Foram os representantes do Hospital São Vicente de Paulo que, convocados a uma reunião na Promotoria, negaram categoricamente os valores. Só então o MP revisou os documentos um a um.

O aditamento registra a conclusão com a cautela característica da linguagem institucional: “a análise pretérita induziu este órgão ministerial a uma conclusão equivocada quanto à magnitude dos repasses diretos”. O que os documentos mostram, na prática, é que medidas cautelares de natureza gravíssima foram requeridas sem que os dados que as sustentavam tivessem passado por uma conferência mínima junto às fontes primárias.

O bloqueio patrimonial, antes fixado em R$ 61 milhões, foi recalculado para cerca de R$ 2,6 milhões. Uma redução de 95%.

As demais imputações, cartel, falsidade ideológica, sonegação fiscal, exercício irregular da medicina e frustração de licitação, permanecem na denúncia e seguem seu curso. Podem, ao final, se mostrar procedentes. Mas o processo chegou até aqui carregando, por meses, uma acusação financeira 22 vezes superior à realidade, e a correção só veio depois que os próprios denunciados a exigiram.

Num processo penal, isso não é detalhe.

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